Bactéria que só infetava animais está a transmitir-se entre humanos. Cem casos em seis meses

Bactéria que só infetava animais está a transmitir-se entre humanos. Cem casos em seis meses

  • 02/07/2026 10:48
  • Redação

Só afetava animais, mas nos últimos meses tem atingido humanos. A avaliação de risco sobre uma bactéria que só infetava animais e que está a transmitir-se entre humanos foi publicada, esta quinta-feira, pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

Trata-se de uma infeção cutânea causada por Dermatophilus congolensis, uma bactéria bem conhecida em medicina veterinária, mas que em mais de seis décadas de literatura médica tinha acumulado menos de 50 casos humanos em todo o mundo.

Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, foram notificados cerca de 100 casos em seis países europeus e a maioria não tinha tido qualquer contacto com animais.

De acordo com o ECDC, clinicamente, a bactéria manifesta-se sobretudo por pápulas (lesão na pele caracterizada por mudanças na cor e na textura da pele) e pústulas pruriginosas (pequenas bolhas na pele que contêm pus e podem causar comichão) em áreas de contacto cutâneo, com evolução geralmente benigna e boa resposta a antibióticos orais. O período de incubação é de cerca de seis dias.

Além disso, exige cultura microbiológica com condições técnicas específicas que, se não observadas, podem gerar falsos negativos.

A confirmação, lê-se no comunicado, exige cultura microbiológica com incubação a 37°C, um detalhe técnico crítico, porque os protocolos habituais para infeções fúngicas utilizam temperaturas inferiores, que podem gerar falsos negativos. A identificação por MALDI-TOF pode igualmente falhar se o perfil da bactéria não constar das bases de dados do laboratório.

A boa notícia é que a doença responde bem a ciclos curtos de antibióticos orais, com recuperação completa na grande maioria dos casos. Não é necessário isolamento estrito, mas a atividade sexual deve ser suspensa até resolução completa das lesões.

A investigadora do ISPUP, Margarida Tavares, foi diretora do Programa Nacional para as IST e Infeção VIH durante o surto de mpox de 2022, declarou que “o fator decisivo não é a resposta montada de raiz a cada surto, mas a prontidão comunitária construída e mantida entre surtos.”

  • Fonte: Rádio Renascença
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