Cinco meses depois das tempestades ainda há 2600 clientes sem telefone de rede fixa
- 02/07/2026 11:02
- Redação
Cinco meses depois do comboio de tempestades que afetou a região Centro do país, há ainda 2.600 clientes sem comunicações da rede fixa. O número mais recente foi adiantado no Parlamento pelo coordenador da Estrutura de Missão, que refere tratar-se de 1% da totalidade dos clientes afetados.
“Ao dia de hoje, 2.600 ainda estão sem comunicações na parte fixa, ou seja, um 1% que está a ser difícil”, revelou Paulo Fernandes.
Na reunião da comissão eventual para a resiliência nacional, prevenção de catástrofes naturais e acompanhamento do PTRR, Paulo Fernandes disse ainda esperar que, até ao final do ano, possam ser realizadas obras de consolidação na rede de comunicações, porque há muitas intervenções que foram apenas provisórias.
“Até final do ano, esperemos que no outono, as tutelas, as entidades reguladoras e os diferentes operadores estabelecemos esse prazo para a consolidação das intervenções”, referiu Paulo Fernandes, alertando para o facto de muitas das intervenções carecerem de consolidação.
“Preocupa-nos muito, também, a consolidação das intervenções. Há muita coisa a funcionar, mas que ainda tem, obviamente, algum carácter provisório, e transformar esse provisório num carácter definitivo, para depois lhe dar o carácter resiliente”, referiu Paulo Fernandes.
Na declaração inicial, Paulo Fernandes deu conta aos deputados de que já foram pagos 2,6 mil milhões de euros, a maior parte desta verba destinada às empresas, cerca de 1,7 mil milhões de euros. Nas habitações, foram pagos 560 milhões de euros, dos quais 489 milhões através dos seguros. Na tabela apresentada no Parlamento, 919 milhões de euros estão provisionados, o que eleva o total para 3.517 milhões de euros mobilizados.
“Os valores, neste momento, pagos e aprovados, são 2,6 mil milhões de euros. Os valores mobilizados entre a vertente dos seguros, a vertente pública, desde o Banco Português de Fomento, à Segurança Social e aos ministérios da Coesão e do Ambiente, são valores, de facto, já muito relevantes”, disse o coordenador da Estrutura de Missão.
Dos 10.114 processos abertos pelo Banco Português de Fomento, já chegaram às empresas 1.610 milhões de euros, que receberam ainda 19,233 milhões de euros dos seguros. Ainda do lado das empresas, o apoio do Estado permitiu manter perto de 3.000 postos de trabalho e, a par da isenção das contribuições e do lay-off simplificado, teve intervenção em 11.000 empresas e mais de 150.000 trabalhadores.
As seguradoras abriram, ao longo destes quatro meses, 173.130 processos, com mais de 620 milhões de euros pagos e 588 milhões de euros por pagar, mas já provisionados.
Paulo Fernandes disse ainda aos deputados que, das 35.000 casas com prejuízos até 10.000 euros, apenas 31% têm seguro referenciado.