PS diz que prémio salarial só agrava contas se Governo não tiver cumprido a lei

PS diz que prémio salarial só agrava contas se Governo não tiver cumprido a lei

  • 02/07/2026 14:54
  • Redação

O PS defendeu hoje que só haverá desequilíbrio nas contas públicas com a proposta aprovada sobre o prémio salarial se o Governo tiver incumprido a lei e pediu ao ministro das Finanças que desminta o PSD, recusando que se trate de "nova despesa".

"Só haverá desequilíbrio nas contas públicas a propósito desta aprovação se o Governo incumpriu a lei quando apresentou o Orçamento do Estado. (...) Eu, aliás, solicito ao ministro das Finanças que possa desmentir o deputado Hugo Carneiro porque, se não o desmentir, significa que faltou à Assembleia da República porque não cumpriu a lei", disse o deputado do PS António Mendonça Mendes aos jornalistas, no parlamento.

Esta declaração surge na sequência da acusação feita momentos antes pelo deputado do PSD Hugo Carneiro ao PS e ao Chega de se unirem para aprovar uma medida que "arrisca levar o país para défice", numa referência à aprovação, esta tarde, na generalidade, do projeto de lei do PS para garantir que o prémio salarial é pago e é cumulável com o IRS Jovem.

De acordo com Mendonça Mendes, quando o Orçamento do Estado para 2026 foi aprovado, "estava em vigor o decreto-lei aprovado no tempo do PS que garante aos estudantes do ensino superior a devolução das suas propinas durante os primeiros anos no mercado de trabalho" e, por isso, o Governo "tem a obrigação" de inscrever os encargos que decorrem da lei.

"Por isso, das duas, uma: ou o PSD veio hoje tentar alarmar os portugueses mentindo, ou o PSD veio hoje assumir que o Governo não cumpriu a lei e, por isso, mentiu à Assembleia da República quando apresentou a Lei do Orçamento do Estado", sintetizou.

Para o deputado socialista, esta declaração do PSD sobre a aprovação do prémio salarial cumulável com o IRS Jovem "não é mais do que uma mentira ou um assumir de que houve um incumprimento da lei há poucos meses".

Segundo António Mendonça Mendes, "desde 2023 que este valor tem sempre de estar previsto no Orçamento do Estado", referindo que não se trata de "uma nova despesa".

"O Governo é que faltou com os jovens quando não devolveu as propinas no ano passado. O Governo é que está a incumprir com os jovens quando não devolve o valor este ano", condenou.

O deputado do PS referiu ainda que o Governo "não assumiu que queria revogar o prémio salarial".

"Ao não revogar, até 31 de dezembro de 2025, tinha a obrigação de colocar esse valor, que indica ser de 300 milhões de euros, no Orçamento do Estado. Aquilo que a Assembleia da República hoje fez foi apenas deixar claro que essa devolução das propinas aos estudantes se deve manter e não é uma nova despesa", enfatizou.

Mendonça Mendes referiu ainda que "se fosse uma nova despesa, haveria a lei-travão, que impediria a sua aprovação".

O PSD acusou hoje PS e Chega de se unirem "em conluio" para aprovar o diploma dos socialistas que força o Estado a pagar um prémio salarial aos recém-formados, que os sociais-democratas estimam custar 300 milhões de euros por ano.

"O PS e o Chega arriscam-se a levar o país para uma situação de défice. Esta é uma medida que custa pelo menos 300 milhões de euros", afirmou o vice-presidente da bancada social-democrata Hugo Carneiro, em declarações aos jornalistas, no parlamento, após as votações.

O parlamento aprovou hoje, na generalidade, o projeto de lei do PS que força o Estado a pagar o prémio salarial que devolve as propinas aos recém-formados e garante que o incentivo é cumulável com o regime do IRS Jovem.

Apesar dos votos contra do PSD, CDS-PP e IL, esta iniciativa passou com os votos favoráveis do PS e do Chega, aos quais se juntaram os restantes partidos, com exceção do PCP, que se absteve.

Com a proposta do prémio salarial, o PS recupera uma iniciativa rejeitada em julho de 2025 para contestar o facto de o Governo continuar sem mandar a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) abrir o prazo para os jovens solicitarem ao fisco o pagamento do prémio a que têm direito.

  • Fonte: Rádio Renascença
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