Empresário acusado de encomendar morte de Caruana Galizia terá pago defesa dos assassinos

Empresário acusado de encomendar morte de Caruana Galizia terá pago defesa dos assassinos

  • 02/07/2026 17:50
  • Redação

O empresário Yorgen Fenech, acusado de ter ordenado a morte da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia, terá alegadamente gasto mais de 400 mil euros com as despesas legais de assassinos contratados.

A alegação foi feita pelo Ministério Público de Malta, esta quinta-feira, no segundo dia do julgamento do mediático caso que deixou a pequena ilha de Malta em estado de choque e levou à queda de um primeiro-ministro.

O procurador descreveu como um taxista chamado Melvin Theuma transferiu quantias elevadas somas de dinheiro para os bombistas, em nome do empresário Yorgen Fenech.

Os assassinos contratados são dois irmãos que receberam 150 mil euros para matar a jornalista, mais cinco mil euros para outras despesas e ainda mais dinheiro após terem sido detidos.

No total, George e Alfred Degiorgio receberam mais de 400 mil euros. Atualmente, cumprem uma pena de 40 anos de prisão pelo homicídio de Daphne Caruana Galizia.

O julgamento arrancou na quarta-feira, nove anos após a morte da jornalista que investigava casos de corrupção na pequena ilha de Malta.

Yorgen Fenech, de 44 anos, responde pelos crimes de cumplicidade no homicídio e associação criminosa. O arguido nega qualquer envolvimento nos factos. Caso seja condenado, poderá enfrentar uma pena de prisão perpétua.

Caruana Galizia morreu em 2017, quando uma bomba colocada no seu automóvel explodiu no momento em que saía de casa. O assassínio chocou a Europa e desencadeou uma profunda crise política em Malta.

Nas diligências preliminares do processo, o Ministério Público alegou que Fenech contratou o antigo motorista de táxi Melvin Theuma para encontrar alguém que executasse o homicídio.

Theuma acabou por confessar às autoridades o seu papel de intermediário, afirmando ter recebido 150 mil euros de Fenech como pagamento. Depois de beneficiar de um perdão judicial, descreveu em detalhe a forma como o crime foi planeado e executado.

Fenech foi detido no final de 2019 a bordo de um iate ao largo de Malta, numa operação que, segundo a acusação, travou uma tentativa de fuga. O início do julgamento foi sucessivamente adiado durante vários anos devido a litígios processuais.

Os três homens que executaram o atentado foram detidos poucas semanas após o homicídio e declararam-se culpados no início do respetivo julgamento. Dois foram condenados a prisão perpétua e o terceiro beneficiou de uma pena reduzida em troca da colaboração prestada às autoridades.

Em 2025, outros dois homens, acusados de terem fornecido o explosivo utilizado no atentado, foram igualmente condenados a prisão perpétua.

Segundo o testemunho de Theuma à polícia, foi ele quem recrutou os autores materiais do crime e participou no planeamento do homicídio, que terá sido preparado num café muito frequentado.

Após várias semanas de vigilância à jornalista, então com 52 anos, os suspeitos colocaram um engenho explosivo debaixo do banco do condutor do seu automóvel. A bomba foi detonada à distância, a partir de um iate ao largo da costa, depois de um dos vigilantes no local dar o sinal. Caruana Galizia morreu de imediato.

Fenech liderava o Tumas Group, um conglomerado com interesses nos setores do jogo, hotelaria e lazer, gestão e promoção imobiliária.

Nos meses que antecederam o seu assassínio, Caruana Galizia investigava uma empresa offshore denominada 17 Black, que, segundo a jornalista, teria sido criada para canalizar pagamentos corruptos destinados aos principais responsáveis políticos de Malta.

O assassínio desencadeou uma crise política em Malta que levou à demissão do então primeiro-ministro, Joseph Muscat, em 2020, embora nunca tenha sido associado ao homicídio.

O julgamento decorre perante um tribunal de júri e deverá prolongar-se durante várias semanas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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