Ex-atleta olímpico acusado de vandalizar espelho de água preferido de Trump

Ex-atleta olímpico acusado de vandalizar espelho de água preferido de Trump

  • 02/07/2026 20:42
  • Redação

Um antigo canoísta olímpico norte-americano foi esta quinta-feira acusado de vandalizar o espelho de água do Memorial Lincoln, em Washington.

David Hearn, de 67 anos, está indiciado por, alegadamente, danificar "de forma deliberada" o revestimento no fundo da piscina refletora em 19 de junho, provocando prejuízos superiores a mil dólares.

O processo foi apresentado no Tribunal Superior de Washington, D.C., e o crime é punível com uma pena máxima de 10 anos de prisão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, e membros da sua Administração têm atribuído repetidamente a vândalos os problemas registados no espelho de água após uma renovação orçada em 14,7 milhões de dólares – o equivalente a 12,8 milhões de euros.

Entre esses problemas contam-se a proliferação de algas e o desprendimento de partes do revestimento do lago artificial, com cerca de 610 metros de comprimento, que se estende do Lincoln Memorial até próximo do Monumento a Washington, no National Mall.

Trump acompanhou de perto o projeto de renovação e os críticos da sua Administração afirmaram que a água esverdeada e o revestimento azul a descolar simbolizavam uma gestão deficiente da obra.

O incidente ocorreu poucos dias depois de as equipas terem concluído um projeto ordenado por Trump para instalar um novo revestimento, descrito pelo Presidente como de um tom "azul da bandeira americana", a tempo das celebrações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, assinalado a 4 de julho.

A procuradora federal para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, aliada política de Trump, afirmou, durante uma conferência de imprensa, que Hearn puxou "com força e violência" o revestimento do espelho de água a 19 de junho e gritou com um funcionário do National Park Service que o confrontou. O antigo atleta foi detido pela Polícia dos Parques.

"Tratou-se de um ato deliberado para danificar o espelho de água do National Mall, cuja recuperação exigiu um grande esforço por parte dos funcionários do National Park Service", declarou Pirro aos jornalistas.

Os advogados de Hearn sustentam que o cliente é inocente e acusam a Administração Trump de utilizar o caso para desviar atenções da alegada má gestão das obras.

"Estas acusações são escandalosas e deveriam preocupar todos os norte-americanos", afirmaram os advogados Norm Eisen e Mary Dohrmann, em comunicado. "Esta acusação reflete a tentativa da Administração de transferir a responsabilidade pelos seus próprios fracassos."

Hearn já tinha admitido ter colocado a mão na água quando circulava de bicicleta na zona e disse a vários órgãos de comunicação social norte-americanos que puxou por uma parte do revestimento que já se encontrava parcialmente solta, mas garantiu que não removeu qualquer material.

Segundo Pirro, o antigo atleta danificou cerca de 0,2 metros quadrados do revestimento.

Trump afirmou que vândalos fizeram cortes entre 76 e 107 metros de comprimento no fundo do espelho de água, mas não apresentou qualquer prova que sustentasse essa alegação.

Questionada sobre essas declarações, Pirro respondeu que alguém provocou danos extensos na infraestrutura, mas acrescentou que os investigadores continuam a procurar os responsáveis.

O Departamento do Interior tinha anteriormente anunciado que pelo menos seis pessoas foram detidas por suspeitas de vandalismo após a conclusão das obras de renovação. Hearn é o primeiro a ser formalmente acusado no âmbito deste caso.

  • Fonte: Rádio Renascença
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