Bombardeamento russo a Kiev foi o ataque mais mortífero deste ano

Bombardeamento russo a Kiev foi o ataque mais mortífero deste ano

  • 03/07/2026 02:22
  • Redação

Na madrugada de quinta-feira, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra Kiev, a capital da Ucrânia, matando pelo menos 30 pessoas, ferindo dezenas e danificando cerca de 130 edifícios, no ataque mais mortífero à capital este ano.

Múltiplas explosões abalaram o centro de Kiev e reverberaram por toda a capital durante a noite, enquanto milhares de residentes corriam para abrigos antiaéreos e estações de metro. Enormes colunas de fumo tomaram conta do horizonte.

O número de mortos subiu para 30 após a recuperação de mais três corpos dos escombros, informou o serviço de emergência da Ucrânia. O chefe da administração militar da capital, Tymur Tkachenko, tinha dito anteriormente que 91 pessoas ficaram feridas.

Tinha avisado que o número de mortos provavelmente aumentaria, uma vez que as equipas de resgate trabalhavam durante a noite, vasculhando os escombros em busca de moradores presos.

Disse que as equipas num local num subúrbio a leste, na margem esquerda do rio Dniepre, recuperaram cinco corpos, enquanto oito residentes permaneciam desaparecidos.

"As equipas de resgate trabalharão sem interrupções até que todos os escombros sejam removidos", escreveu. "Infelizmente, ainda podem ser encontradas mais vítimas".

A escala e a extensão da destruição por toda a capital não tinham precedentes, mesmo numa guerra que dura há cinco anos. Vinte e quatro pessoas morreram num ataque a Kiev, em maio.

O Presidente Volodymyr Zelenskiy, que interrompeu a sua visita à Irlanda e regressou a casa, visitou o local onde um edifício residencial de nove andares foi parcialmente destruído. Atribuiu a destruição, em parte, à falha dos aliados em fornecer as defesas aéreas prometidas.

"Se os nossos parceiros tivessem cumprido as suas promessas em tempo útil, penso que poderíamos ter salvo mais casas e vidas hoje", disse Zelenskiy, que parecia cansado e frustrado. "Tudo o que pedimos aos nossos parceiros é simplesmente que façam o que foi acordado. Não estamos a pedir nem mais do que isso."

Mais tarde, no seu pronunciamento diário em vídeo, Zelensky afirmou que a questão da defesa aérea seria "um dos principais resultados" da cimeira da NATO na Turquia na próxima semana, reiterando o seu apelo para o desenvolvimento das defesas aéreas europeias.

"Se, claro, a NATO ainda significa alguma coisa para os aliados", disse. "A Europa precisa de ter capacidade suficiente para se defender contra todo o tipo de ameaças, incluindo esta – a dos mísseis balísticos russos."

A Rússia lançou 74 mísseis e 496 drones durante a noite, informou a Força Aérea Ucraniana. Yuri Ihnat, porta-voz da Força Aérea, disse que o número de mísseis balísticos lançados foi excecionalmente elevado e a taxa de interceção, baixa. A Ucrânia tem enfrentado uma escassez de mísseis Patriot nos últimos meses.

O Ministério da Defesa russo, numa publicação no Telegram, afirmou que o seu "ataque maciço", utilizando armas de longo alcance e de alta precisão lançadas do ar, terra e mar, bem como drones, atingiu instalações militares e de energia, bem como aeroportos de Kiev e de outras localidades.

Moscovo afirmou que os ataques foram uma retaliação aos ataques de drones ucranianos contra a Rússia. Kiev, que intensificou os ataques nas últimas semanas contra o fornecimento de combustível da Rússia, disse ter atingido uma refinaria de petróleo durante a noite na região russa de Nizhny Novgorod, onde o governador reportou uma morte num ataque a uma instalação industrial.

O Kremlin afirmou que os comandantes militares russos informaram o presidente Vladimir Putin sobre os ataques russos, acrescentando que Moscovo iria aumentar a pressão para alcançar os seus objetivos de guerra.

O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, anunciou um dia de luto na cidade para sexta-feira. Disse que foram registados danos em toda a cidade de cerca de 3 milhões de habitantes, com alguns edifícios gravemente danificados.

A Cruz Vermelha Ucraniana, numa publicação no X, disse que o seu depósito humanitário em Kiev foi destruído no ataque e publicou fotos do interior de um edifício em ruínas. A organização afirmou que 320 mil artigos de ajuda humanitária foram perdidos, "afetando a resposta a emergências e as operações humanitárias em toda a Ucrânia".

Katarina Mathernova, embaixadora da UE na Ucrânia, afirmou que "a Rússia desencadeou o inferno em Kiev" durante a noite e atingiu alojamentos utilizados por diplomatas. Os diplomatas saíram ilesos, mas os seus pertences foram danificados num incêndio.

As autoridades municipais disseram que entre os feridos estavam crianças, paramédicos e condutores de uma estação de ambulâncias.

"A nossa casa está a arder. O Oleg estava a tirar o nosso vizinho da casa em chamas enquanto eu ligava para todos os serviços de emergência durante as explosões", disse Iryna Plekhova, residente em Kiev, no Facebook, publicando uma fotografia de um prédio de apartamentos parcialmente destruído. "Já não temos apartamento."

O Instituto Nacional de Bioquímica estava entre os muitos edifícios danificados: o seu laboratório de bioquímica de última geração e outros escritórios foram destruídos durante o ataque.

"Esta é uma catástrofe para a ciência médica e biológica da Ucrânia", disse o biólogo Yurii Danylovych à Reuters.

"Esta é uma catástrofe para a ciência médica e biológica da Ucrânia", disse o biólogo Yurii Danylovych à Reuters. A Polónia, vizinha da Ucrânia e membro da NATO e da UE, enviou brevemente caças como medida preventiva. A Finlândia decretou também, por um curto período, uma zona de restrição de voo temporária no leste do Golfo da Finlândia, segundo as suas forças de defesa.

Após anos a sofrer ataques implacáveis de longo alcance por parte da Rússia, a Ucrânia intensificou os seus próprios ataques em território russo, principalmente contra alvos energéticos. Isto desencadeou uma crise de combustível na Rússia, forçando o terceiro maior produtor de petróleo do mundo a importar gasolina de locais tão distantes como a Índia.

A Rússia respondeu com uma campanha aérea intensificada contra as cidades ucranianas, atingindo no mês passado uma catedral de Kiev com mil anos de história, fundamental para a fé ortodoxa em ambos os países.

Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, afirmou que só o contínuo apoio militar à Ucrânia e o aumento da pressão sobre Moscovo poderiam ajudar a travar os ataques russos.

"Hoje, proporei sanções a mais entidades que apoiam o complexo militar-industrial da Rússia em resposta aos ataques", disse ela numa publicação no X. "Quanto mais Moscovo atacar civis, mais sanções deverão ser impostas."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques, disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, descrevendo-os como parte de um "padrão mortal" de ataques a zonas povoadas.

Zelinsky propôs conversações de paz com Putin, que o líder do Kremlin rejeitou. Zelensky afirmou que os negociadores ucranianos e norte-americanos se reuniram nos últimos dois dias e que espera reunir-se com o presidente norte-americano, Donald Trump, à margem da cimeira da NATO.

  • Fonte: Rádio Renascença
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