Oposição critica Governo após adiamento dos resultados dos exames nacionais

Oposição critica Governo após adiamento dos resultados dos exames nacionais

  • 03/07/2026 11:06
  • Redação

O anúncio do Ministério da Educação de que a divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames nacionais foram adiadas devido às falhas da avaliação eletrónica motivou críticas de vários partidos da oposição, que acusam o Governo de má gestão do processo, exigem responsabilidades políticas e reclamam esclarecimentos sobre o que falhou.

O PS criticou o que classificou como o "estado de negação" do ministro da Educação e afirmou que Fernando Alexandre deve concentrar-se em resolver os problemas criados no processo dos exames nacionais.

"Neste momento não queremos que o senhor ministro vá embora, queremos é que resolva os problemas, deixe de estar distraído. O senhor ministro não pode pensar que os problemas do país são as perguntas da oposição", afirmou o deputado Porfírio Silva.

O parlamentar socialista recordou que, há apenas dois dias, Fernando Alexandre desvalorizou as denúncias sobre dificuldades no processo, atribuindo-as às redes sociais.

"O senhor ministro da Educação esteve no parlamento há dois dias em estado de negação (...), ignorando que todos nós que trabalhamos nesta área falamos com dezenas de diretores, com centenas de professores, permanentemente e sabemos, efetivamente, aquilo que está a acontecer", disse.

Porfírio Silva disse ainda esperar que a alteração do calendário agora anunciada seja suficiente para "blindar o processo" e tranquilizar estudantes, famílias e professores, acrescentando que haverá mais tarde oportunidade para avaliar responsabilidades políticas.

Pelo Livre, Filipa Pinto considerou que o ministro deve assumir a responsabilidade política pelo sucedido, lembrando que, na recente audição parlamentar, Fernando Alexandre garantiu que o processo decorreria sem problemas.

"O ministro terá de tirar as responsabilidades políticas desta situação e reconsiderar o que deve ser feito num caso em que todo o sistema educativo está a ser abalado", afirmou, defendendo ainda que Fernando Alexandre tem de "assumir que a responsabilidade do caos que está instalado nas escolas e nas famílias é sua".

O Bloco de Esquerda acusou o Governo de incompetência e exigiu um pedido de desculpas à comunidade educativa.

"O Governo deve pedir desculpas aos alunos, aos professores, a toda a comunidade académica e ao país", afirmou Fabian Figueiredo, sustentando que o que aconteceu exige o apuramento de responsabilidades, total transparência sobre a plataforma utilizada e uma auditoria para esclarecer o que falhou, incluindo o processo de contratação.

Também o PCP criticou a atuação do executivo, considerando que a situação gera preocupação entre os estudantes numa fase decisiva para o acesso ao ensino superior.

"Toda esta situação é, de facto, um elemento que gera preocupação, que gera ansiedade, junto dos estudantes que este ano estão a fazer os exames", afirmou Paula Santos, acrescentando que o caso demonstra a forma "leviana" como o Governo tem tratado esta matéria.

Já a deputada única do PAN, Inês Sousa Real, classificou o adiamento como "lamentável", defendendo que a decisão aumenta a ansiedade e a pressão sobre os alunos. O partido vai pedir esclarecimentos escritos ao Governo por considerar que as explicações do ministro não são suficientes para tranquilizar estudantes, famílias e o parlamento.

O presidente do Chega, André Ventura, responsabilizou igualmente o ministro da Educação pelas falhas e apelou à intervenção de Luís Montenegro.

"Espero que o senhor primeiro-ministro (...) consiga chamar e dar um puxão de orelhas ao senhor ministro da Educação pela incompetência que está a ter, sobretudo numa matéria tão importante como esta da educação", disse.

Ventura considerou que o adiamento da segunda fase dos exames "não é fruto de uma circunstância extraordinária, é fruto de erros consecutivos que o ministro da Educação levou a cabo", acusando ainda o Governo de ter promovido uma reorganização dos serviços da Educação que acabou por prejudicar alunos e famílias.

  • Fonte: Rádio Renascença
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