Há 250 anos, a independência dos EUA brindava-se com vinho da Madeira
- 03/07/2026 16:57
- Redação
Foi assinada há 250 anos, a 4 de julho, a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América (EUA). Os signatários, como Benjamin Franklin ou George Washington, brindaram com Vinho da Madeira e Portugal foi um dos primeiros países a reconhecer a nova nação. Mais de dois séculos depois, a "terra das oportunidades" enfrenta outros desafios e está "altamente dividida".
Apesar de Portugal ter uma “velha aliança com a potência colonizadora, que era a Inglaterra”, recorda, “foi o quinto país a reconhecer a independência dos EUA, logo nos primeiros dias”. Isto porque, “de certa forma”, prossegue Raquel Abecasis, “intuiu-se que muito do nosso futuro passaria pela relação com um país grande que estava a nascer e que, no fundo, faz fronteira connosco através do Oceano Atlântico”.
“Ao longo destes 250 anos tem-se percebido como essa relação transatlântica entre a Europa e os EUA – mas sobretudo entre Portugal e os EUA – tem sido essencial para o nosso desenvolvimento”, diz ainda.
“O país está altamente dividido. A polarização está em patamares históricos neste momento”, lamenta.
Foi com vinho Madeira que, a 4 de julho de 1776, os “Founding Fathers” (Pais Fundadores, em português) brindaram à independência dos EUA. “Estamos a falar de um vinho que celebrou a libertação de um povo e a autodeterminação de um país”, sublinha.
O vinho Madeira começou a ser exportado para os EUA no final do século XVII, por via marítima. “Aí se percebeu que o próprio vinho começou a ganhar características únicas”, começa por dizer o presidente do IVBAM.
Devido à agitação do mar e às alterações súbitas de temperatura, o vinho da Madeira “chegava muito melhor do que quando saía”, uma vez que os efeitos das viagens lhe conferiam “características únicas de frescura, longevidade e complexidade aromática”, nota.
“O vinho Madeira é um vinho que precisa, de certa forma, de tudo aquilo que os vinhos não precisam e não querem, que é a oxidação”, clarifica, “a oxigenação e a oxidação do vinho permitem-lhe ganhar uma intemporalidade e uma longevidade fora do normal”.
“É possível abrir uma garrafa de vinho da Madeira nos dias de hoje e, passados uns 10, 20 ou 30 anos, o vinho continua bom e ótimo para ser apreciado”, garante.
Estas particularidades, juntamente com a intensificação do comércio atlântico, contribuíram para que este produto madeirense passasse a ser “uma presença regular à mesa dos colonos, nomeadamente em Boston, Nova Iorque e Filadélfia”, onde a independência foi proclamada, recorda.
“Tornou-se, de facto, um grande produto de prestígio junto das famílias mais influentes da Europa e também, naturalmente, do continente americano”, vinca.
A relação histórica que une os madeirenses aos norte-americanos mantém-se até aos dias de hoje. Atualmente, os EUA são, para o vinho da Madeira, “o segundo mercado de exportação mais importante e o primeiro em termos de países interessados”, revela Tiago Freitas.
Em 2025, “o volume de negócios para aquele país ultrapassou os 2,4 milhões de euros, num volume de mais de 200 mil litros”, relata o presidente do IVBAM, o que se traduz num preço médio de cerca de 12 euros por litro.
E a tendência é o crescimento. Nos primeiros cinco meses deste ano, “o volume de exportação para os Estados Unidos ultrapassou os 90 mil litros”, diz, resultando numa faturação superior a 1,1 milhões de euros, “o que perfaz um aumento de cerca de 20% face ao mesmo período do ano passado e de 14% em relação ao período comum”.