Fogo de Vouzela já queimou mais de 7 mil hectares. Ministro admite mão criminosa
- 03/07/2026 12:02
- Redação
O incêndio florestal que começou na madrugada de quinta-feira em Vouzela, distrito de Viseu, e se estendeu a mais três concelhos, já queimou mais de sete mil hectares de floresta e mato, revelam dados europeus. O ministro da Administração Interna admite mão criminosa.
De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), o fogo que eclodiu pelas 03h04 de quinta-feira em Vouzela e se estendeu, depois, a Oliveira de Frades e Tondela (Viseu) e Águeda (Aveiro), a área ardida situava-se, ao início do dia de hoje, nos 7.191 hectares, estando em expansão, já que o incêndio lavra há mais de 33 horas e permanece ativo.
Os mais de 7.000 hectares correspondem a cerca de 10.000 campos relvados de futebol de 11.
Os dados consultados pela agência Lusa pelas 12h00, sustentados na informação recolhida pelos sensores VIIRS e Modis (instalados a bordo de satélites que orbitam a Terra), permitem ainda estimar um perímetro de incêndio com mais de 50 quilómetros (km), que se desenvolveu para oeste e sudoeste (em direção ao município de Águeda, pela zona florestal do Préstimo) e também para sul e sudeste, para as vertentes da serra do Caramulo, já no concelho de Tondela.
Já as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para a zona onde o incêndio permanece ativo, indicavam, às 12h00, uma temperatura estimada de 29,3º centígrados e humidade relativa de 25,6%, segundo dados publicados na página fogos.pt.
De acordo com os mesmos dados, é expectável uma subida da temperatura do ar ao longo do dia (máxima de 34,8º às 18h00) e uma queda abrupta da humidade relativa para um valor mínimo de 13% pelas 19h00.
Ainda segundo o IPMA, a velocidade média estimada do vento cifrava-se, à mesma hora, em redor dos 18 quilómetros/hora (km/h) –com rajadas que poderiam chegar aos 43 km/h –, sendo, no entanto, de esperar uma redução da intensidade do vento ao longo do dia, voltando a aumentar a partir das 21h00.
No combate às chamas do incêndio que eclodiu em Vouzela estavam, pelas 12h40 de hoje, um total de 955 operacionais, apoiados por 308 viaturas e nove meios aéreos.
Em declarações aos jornalistas, em Torres Novas, Luís Neves disse que a estratégia passa por assegurar um ataque inicial rápido aos incêndios que deflagram, permitindo concentrar meios no fogo de Vouzela, que classificou como a principal preocupação das autoridades.
Questionado sobre a possibilidade de o incêndio ter tido origem criminosa, o ministro respondeu que "tudo indicia" essa hipótese.
"Não é de noite que há condições para o surgimento de ignições e logo duas ignições por volta das 02h00, 03h00 da manhã", afirmou, concluindo que "tudo indicia que houve, de facto, um comportamento de mão humana, um comportamento criminoso".
Luís Montenegro falava aos jornalistas no final de um Conselho de Ministros realizado em Guimarães.