Carneiro exige que Montenegro peça desculpa por situação dos exames
- 04/07/2026 08:48
- Redação
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, exigiu hoje um pedido de desculpas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, pela "situação absolutamente grave" relacionada com as falhas na segunda fase dos exames nacionais.
"Quero referir-me à situação absolutamente grave que tem a ver com os exames dos alunos que querem concorrer ao ensino superior. O Ministro da Educação e o Governo permitiram que se instalasse o caos nas escolas e, mais grave do que isso, o ministro faltou à sua responsabilidade na Assembleia da República, porque procurou esconder a gravidade do que estava a passar", criticou José Luís Carneiro.
O secretário-geral dos socialistas falava à chegada ao 22.º Congresso da Federação Distrital do Porto do PS, comentando a decisão anunciada na sexta-feira pelo Ministério da Educação de adiar a divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames nacionais devido a falhas na avaliação eletrónica, havendo ainda professores sem receber os itens das provas para corrigir.
No final do mês, Carneiro já havia exigido explicações e, hoje, subiu de tom nas críticas ao Governo, que acredita ter procurado "culpar os diretores das escolas e os professores", mostrando total insensibilidade para com o que se está a passar com os jovens e as famílias.
"Eu, se fosse primeiro-ministro, nesta altura já tinha vindo pedir desculpa às famílias portuguesas", sentenciou.
Criticando o "caos instalado" num dos momentos mais vitais da vida das famílias, Carneiro apontou também a "declaração de gravidade imensa" do ministro da Educação, Fernando Alexandre, ouvido na sexta-feira no Parlamento, que, no seu entender, "culpou os pais pelo facto de terem programado as suas férias", quando estes o fazem "contando que o Governo cumpra o seu dever".
"Isto é de uma grande gravidade e eu exijo ao primeiro-ministro que peça desculpa às famílias, que peça desculpa aos professores e que peça desculpa às escolas deste país", reforçou.
Numa curta declaração à chegada ao congresso, que decorre em Vila do Conde, manifestou ainda solidariedade e apoio "a todos os esforços que estão a ser feitos por parte das forças e serviços de segurança, dos bombeiros portugueses e das populações", face à situação de calor extremo e aos incêndios no país.
Sem se alongar no tema e entrando rapidamente, após uma declaração quase totalmente focada na questão dos exames, posicionou o PS "ao lado daqueles que estão a passar por momentos muito difíceis", dos incêndios à situação dos exames, à qual voltou.
"É importante que o primeiro-ministro explique que empresa é que assumiu estas responsabilidades, que está a falhar tanto em momentos tão cruciais da vida coletiva", atirou.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação justificou, na sexta-feira, as alterações ao calendário dos exames com as falhas no processo informático, que levaram a que alguns docentes ainda não tivessem recebido as provas para avaliar, esperando não ser necessário voltar a fazer ajustes.
"Ainda falta uma parte do processo que está a ser robustecido, mas há sempre alguma incerteza. Mas o foco é cumprir o calendário, que foi concertado com o EDUQA e o Júri Nacional de Exames (JNE), que ontem [quinta-feira] nos enviou uma proposta por escrito. Discutimos com essas entidades e parece-nos que esta é a melhor forma de garantir o tal rigor num processo de avaliação", disse Fernando Alexandre, à margem de um encontro em Guimarães.
Segundo a tutela, as candidaturas ao ensino superior deverão manter-se inalteradas, ou seja, arrancam a 20 de julho.
Em comunicado, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação lamentou já "eventuais transtornos" na vida dos alunos, das suas famílias, dos professores classificadores e das escolas.