Carneiro quer PS preparado para regionalização e critica "insensibilidade" do Governo

Carneiro quer PS preparado para regionalização e critica "insensibilidade" do Governo

  • 04/07/2026 10:35
  • Redação

O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, disse hoje que o PS deve estar preparado para "perguntar aos portugueses se querem ou não a regionalização", criticando a "insensibilidade" do Governo da economia à habitação.

"Temos um compromisso que temos de assumir hoje: perguntar aos portugueses se querem ou não a regionalização e tudo fazer para avançar com essa reforma, para que os poderes regionais tenham legitimidade direta e democrática para responder às necessidades de desenvolvimento económico, social e territorial", declarou o secretário-geral dos socialistas, no discurso do congresso da Federação Distrital do Porto do partido.

Em Vila do Conde, exortou os militantes a estarem preparados para olharem "para o esforço e percurso da descentralização".

Esse era, de resto, o compromisso "prioritário" para o distrito assumido neste congresso, parte de uma ronda por vários distritos, passando hoje também por Setúbal, que encerra um processo de eleições internas no partido.

Na sessão figuraram vários nomes de proa do partido no Norte, a começar pelo autarca de Vila do Conde, Vítor Costa, mas também a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, assim como o antigo presidente da Câmara de Vila do Conde e do Porto, Fernando Gomes, entre outros.

Carneiro voltou a criticar o Governo pelo "caos instalado nas escolas", com os atrasos na avaliação dos exames nacionais, como já tinha dito aos jornalistas à chegada ao congresso, e lamentou que "este Governo nunca assuma a sua responsabilidade".

"O primeiro-ministro que explique ao país o que se está a passar, o que está a falhar e como o Governo vai resolver, com credibilidade e confiança, a avaliação dos nossos jovens que querem concorrer ao ensino superior", criticou.

Nessa linha, referiu-se várias vezes, ao longo do discurso, à "insensibilidade" do Governo liderado por Luís Montenegro, do PSD e do CDS-PP, como na "desumanidade e insensibilidade" da reforma laboral.

"Eles vieram para tirar direitos aos trabalhadores, entre eles as mulheres e os mais jovens. Conseguimos dar um contributo decisivo, com mais de cinco milhões e 300 mil trabalhadores, para travar esta ofensiva. Contámos com os trabalhadores e as centrais sindicais", celebrou.

A Prestação Social Única também mereceu críticas, assim como as questões da habitação e das emergências hospitalares, lamentando que não tenham sido acolhidas propostas socialistas nem adotadas posições que defendam os cidadãos portugueses.

Por outro lado, José Luís Carneiro propôs, a partir do PS, uma alternativa "séria e sólida", com prioridade para uma "construção de matriz de desenvolvimento da economia", com mais tecnologia, o aproveitamento do interior e a valorização do percurso dos jovens em Portugal, a começar pelos "100 mil no ensino profissional e 140 mil que não estudam nem trabalham".

"Nós temos áreas vitais às quais temos de responder. A economia é uma delas. Tem de ser mais produtiva, criar mais riqueza, ser mais competitiva. O que vemos do Governo é o contrário disto", lamentou.

Perante militantes do Porto, entre os quais se inclui, Carneiro lembrou Antero de Quental e José Régio, comparou a política à confeção de renda de bilros, numa das cidades mais representativas deste artesanato, e pediu que o Porto "ganhe força".

"Se formos uma força que faz da sua pluralidade, diversidade, uma unidade que inova, fortalece, defende e afirma os valores, estou convencido de que essa unidade formará um autêntico quadrado que, na nossa história, tem um significado muito especial", afirmou.

Na habitação, pediu à presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, para liderar uma equipa no secretariado nacional com o objetivo de encontrar uma solução para o problema.

Para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), prometeu "várias soluções para responder de forma mais eficaz".

  • Fonte: Rádio Renascença
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