Champôs, chocolates e pastas de dentes. Saiba como a IA está a mudar os produtos que consome
- 06/07/2026 03:06
- Redação
Segundo um alto executivo revelou à Reuters consegue agora criar produtos quatro vezes mais depressa do que antes.
Mas não é a única. Empresas do setor de bens de consumo, incluindo a Nestlé, proprietária da Nescafé, a Haleon, fabricante da pasta de dentes Sensodyne, e a Mondelez, fabricante de chocolate, estão a utilizar IA na inovação de produtos.
Em alguns casos, ajuda-as a testar ingredientes mais rapidamente, a gerar ideias para fórmulas e a resolver vulnerabilidades na cadeia de abastecimento, afirmaram os executivos.
O impulso para integrar a IA no desenvolvimento de produtos surge num momento em que as empresas de bens de consumo enfrentam pressão para inovar mais rapidamente e reduzir custos, num contexto de mudanças nos gostos dos consumidores.
A L’Oréal, que começou a utilizar IA nos seus laboratórios há quatro anos, identificou novas moléculas para produtos de beleza ao prever o efeito que estas terão na pele e no cabelo, afirmou Fabrice Megarbane, presidente da sua unidade de produtos de consumo.
A inovação recente da L’Oréal consistiu em reaproveitar moléculas utilizadas em produtos de cuidados da pele para um champô que utiliza colagénio para conferir volume e corpo ao cabelo, explicou Megarbane.
“É possível avançar muito mais rapidamente imaginando... novas associações de moléculas e novos benefícios das moléculas”, afirmou Megarbane na Cimeira Global do Consumer Goods Forum, realizada em Viena no final de junho.
O CEO da L'Oréal, Nicolas Hieronimus, lançou no ano passado um “plano de estímulo à beleza” para impulsionar a inovação, depois de a L'Oréal ter registado o crescimento mais lento das vendas do grupo em vários anos.
A inovação em produtos, impulsionada pela IA, é um “fator de mudança radical” na fabricante de chocolate Mondelez, afirmou Filippo Catalano, Diretor de Informação e Digital, à Reuters.
A tecnologia ajudou a empresa proprietária das marcas Cadbury e Toblerone a acelerar processos e a reinventar receitas. A empresa afirmou que a IA pode criar receitas, incluindo ideias “fora do comum”, que são depois avaliadas por um especialista humano.
“É possível otimizar a forma como se desenvolvem as receitas”, afirmou Catalano, apontando para a possibilidade de reduzir a dependência de um único fornecedor nas cadeias de abastecimento e para a capacidade de adaptar as fórmulas de modo a responder às mudanças nos gostos dos consumidores.
A ferramenta de IA da Mondelez está a reduzir o número de amostras normalmente geradas através da inovação, afirmou.
Ajudou a desenvolver os biscoitos Golden Oreo sem glúten e uma receita renovada para os biscoitos Chips Ahoy, informou a empresa.
Na categoria dos biscoitos, 60% das receitas produzidas com a ferramenta de IA apresentaram melhores resultados em áreas como nutrição, sustentabilidade e custo.
“(As capacidades da IA estão) a acelerar o que já se podia fazer, mas reduzindo o tempo de meses para semanas ou de anos para meses”, rematou Catalano.