Durão Barroso: Portugal "tem o dever de reforçar o sentimento de comunidade nacional"
- 06/07/2026 15:47
- Redação
A palestra de Durão Barroso esteve marcada para o jantar das jornadas parlamentares da AD, mas foi antecipada por causa do jogo de futebol entre Portugal e Espanha. Os deputados não se alargaram nas perguntas e ao fim de 40 minutos a intervenção estava terminada, tempo suficiente para ir ver a bola.
O Mundial de Futebol que levou Luís Montenegro a viajar para os Estados Unidos, foi a oportunidade para o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, oferecer uma camisola da seleção a Durão Barroso, com o seu nome das costas.
O Campeonato do Mundo foi também utilizado pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros para explicar a posição de Portugal no mundo, um país de vocação atlântica, mas com laços fortes aos países de língua oficial portuguesa.
Durão Barroso falava do jogo entre Cabo Verde e Espanha, que acabou empatado a uma bola, e como teve de explicar a um amigo espanhol que ficou triste porque os portugueses estavam a torcer pela seleção dos "tubarões azuis".
“Estou muito triste com vocês, José Manuel, vocês estavam todos contra a Espanha, estavam por Cabo Verde e eu disse, vamos lá, tens de compreender uma coisa, vocês são 'nuestros hermanos', eles são nossos filhos”, disse Durão Barroso, conseguindo alguns risos na plateia.
“Há de facto e é natural uma cumplicidade em Portugal com os países de expressão portuguesa e isso é bom porque num mundo polarizado entre norte e sul, Portugal pode também dar o seu contributo para essa harmonia com outras zonas do mundo”, afirmou.
“É por isso que eu acho que nós portugueses, hoje, numa situação como esta, temos o dever de reforçar o sentimento de comunidade nacional. Porque há alguns que procuram pôr em causa, através da polarização”, referiu o antigo líder do PSD.
Barroso falou apenas de política externa, mas elogiou o Governo na decisão de comemorar os 900 anos da Batalha de São Mamede, porque vai ajudar a reforçar esta ideia de comunidade aberta aos outros.
“É uma belíssima decisão tomada pelas autoridades portuguesas, vamos reforçar o nosso sentimento de comunidade nacional, mas num sentido de abertura, e não num sentido de chauvinismo ou de xenofobia, ou num sentido de limitação, mostrando a cumplicidade que temos com outras zonas do mundo, a vocação estratégica euro-atlântica”, defendeu Durão Barroso.
O antigo presidente da Comissão Europeia voltou ainda a dizer que a União Europeia tem de deixar de ser “o tal adolescente geopolítico que tem sido e pensar que tem de ser ela própria também a defender-se”.
“A meu ver, nós, europeus, temos sobretudo de fazer os nossos trabalhos de casa. É muito fácil hoje dizer que a culpa é de Trump, mas não é por causa de Trump que a Europa não acabou o seu mercado interno, não é por causa de Trump que a Europa não tem união bancária, não é por causa de Trump que a Europa não tem uma união de mercado de capitais, é porque nós não fizemos ainda o nosso trabalho”, considerou.
Barroso lembrou que, quando era presidente da Comissão, a Europa conseguiu tomar medidas para lidar com a crise das dívidas soberanas, mas a União só avança quando está perante um problema.
“Isto mostrou que quando há uma crise, é possível reagir, mas digamos que estruturalmente a Europa parece ter de olhar o abismo para reagir, porque é só nessa altura que há a força suficiente de pressão sobre os líderes políticos para tomar decisões”, considerou Durão Barroso.