O pacote laboral não é para os empresários “comprarem carros e irem de férias mais longe”, diz líder da CIP
- 07/07/2026 09:10
- Redação
“Não é uma birra, nem um arranjo floral”, avisou Armindo Monteiro, falando aos deputados do PSD e do CDS nas jornadas parlamentares que terminam esta terça-feira em Cascais, sobre a importância da revisão do Código de Trabalho.
Durante a sua intervenção, o presidente da CIP deu conta de vários dados que colocam Portugal muitos abaixo da média da União Europeia. “O salário médio é o 10º mais baixo da União Europeia” e a produtividade ocupa o mesmo lugar.
E Armindo Monteiro avisou que para se alterar esta situação é necessário continuar a insistir nas alterações ao Código do Trabalho.
“É para mudarmos este quadro. Não é para que os empresários comprem mais carros, vão de férias mais longe e tenham melhores condições. Não estou a dizer que também não seja necessário dar mais rendimento aos empresários. Naturalmente que o lucro não é uma palavra proibida. Mas também pagar salários mais elevados não deve ser uma impossibilidade”, disse Armindo Monteiro.
“E isso muda-se, vejam que a nossa produtividade em Portugal é de 29 euros. A média europeia é de 44. Só aqui temos uma diferença de 15 euros. Ao fim de um dia já estamos em 120 euros de diferença. Isto já explica muita coisa”, argumentou.
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal lembrou os deputados de que o trabalho na concertação social ao longo de nove meses foi muito duro, mas teve sempre a sensação de que o debate que ali acontecia esteve sempre dependente da decisão política do Parlamento.
“Não é uma birra. Não andámos nove meses em esforço para fazer aquilo. O que nós sentimos naquelas salas era que não era para influenciar aquele jogo, mas o vosso jogo. Aí é que se jogava aquilo que estava a ser discutido, que devia ser uma relação meramente laboral, mas não, o que estava a acontecer era uma relação político-partidária”, referiu o presidente da CIP.
Além das alterações ao Código de Trabalho, Armindo Monteiro considera que Portugal precisa de três ativos: lucidez, vontade e coragem. Para criar um ambiente favorável à economia e à produtividade, o presidente da CIP refere que são necessárias “medidas profundas no investimento, na inovação e no crescimento”.
“Permitam-me convocar todos para um sobressalto da nação produtiva. Nós temos uma nação produtiva em Portugal. É preciso fazer um sobressalto. Essa nação produtiva, muitas vezes, é silenciosa, não é ruidosa como outros. E por isso, às vezes, parece que não existe”, referiu Armindo Monteiro.
Apesar de existir essa nação produtiva, o presidente da CIP pede ao poder político medidas em três eixos: “A valorização do trabalho, o investimento nas empresas e a redução da burocracia estatal. É importante, é imprescindível. E, sobretudo, com uma rejeição do fatalismo”.