Privados respondem a Ana Jorge. Setor cresce mas não pela falta de atratividade do SNS

Privados respondem a Ana Jorge. Setor cresce mas não pela falta de atratividade do SNS

  • 07/07/2026 11:00
  • Redação

O presidente da União Europeia de Hospitalização Privada, Óscar Gaspar, contesta o argumento apresentado esta terça-feira por Ana Jorge.

"É um mito urbano que haja algum tipo de fuga do público ao privado. Os números do SNS são muito claros. Neste momento, o SNS tem quase 160 mil ativos", começa por dizer.

"Nunca o SNS teve tantos recursos humanos. A grande questão é que faltam, de facto, profissionais de saúde e, portanto, independentemente de os profissionais estarem no público ou no privado, o importante, o mais importante de tudo para os cidadãos é, obviamente, que haja uma oferta que seja capaz de responder às necessidades das pessoas. E é importante, também, que haja planeamento, quer do lado público como do lado privado e que possamos crescer em conjunto", acrescenta.

Em resposta a Ana Jorge, que diz que os hospitais privados criam desigualdades no acesso porque têm em vista uma perspectiva de lucro e por estarem concentrados nos grandes centros urbanos, Óscar Gaspar diz que "a questão do acesso nada tem a ver com a propriedade dos hospitais". "O relevante é como é que as pessoas podem aceder aos hospitais do SNS ou aos hospitais privados. É por isso que nós também defendemos que devia haver possibilidade de uma maior complementaridade. Neste momento temos quase 300 mil pessoas à espera de uma cirurgia no SNS e mais de um milhão de pessoas à espera de uma consulta. É esta dificuldade que está também a obrigar algumas dessas pessoas depois de terem que recorrer ao privado ou a terem que contratar um seguro", reitera.

Para o presidente da União Europeia de Hospitalização Privada, a despesa nos hospitais privados cresceu, mas cresceu ainda mais nas unidades do SNS.

"Tem havido um aumento muito significativo da atividade dos hospitais privados em Portugal nos últimos anos. Agora, ainda na semana passada saíram dados do INE relativamente a 2024, que provam que nos últimos anos, em termos de despesa, tem crescido muito mais no lado público do que do lado privado. O privado não cresce à custa do público. Apesar do crescimento do público, ainda assim, há necessidades não supríveis em Portugal e, portanto, é importante que haja os hospitais privados para dar em conta dessa procura que tem sido crescente", remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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