Bispo auxiliar de Caracas à Renascença: "Vai ser preciso reconstruir toda a Venezuela"
- 08/07/2026 01:00
- Redação
Filho de pais madeirenses que emigraram em 1966 para a Venezuela, D. José Dionísio Govea foi nomeado a 18 de março bispo auxiliar de Caracas, pelo Papa Leão XIV. Oriundo de uma família do Machico, Dionísio chegou a La Guaira ainda "na barriga" da sua mãe.
O bispo lembra que o país não está preparado para enfrentar uma tragédia da dimensão daquela que aconteceu a 24 de junho, pois “falta a maquinaria e o pessoal não é suficiente para continuar a retirar as vítimas dos escombros”. “É um trabalho muito grande, há muitas vítimas para retirar em muitos lugares, há muitos mortos ainda nos escombros e há por isso o risco de epidemia”, sublinha.
D. José Dionísio diz que o momento exige que se deixe "a política de lado" e lembra a responsabilidade acrescida ao nível da ajuda, por parte dos Estados Unidos que agora "tem um certo controlo da atuação do Governo".
O bispo auxiliar de Caracas insiste no pedido de união no país, porque "vai ser preciso reconstruir toda a Venezuela". “Tem de se reconstruir toda a Venezuela e não pensarmos só aqui, onde fomos mais afetados. Tem de se reconstruir muitos corações para que as pessoas levantem o ânimo para seguir adiante e, para isso é preciso unirmo-nos para fazer esta reconstrução”, refere.
“Agora a política tem de passar para segundo plano, porque agora o primordial é isto; esta realidade muito difícil. Não se está a pensar nada na política, porque, em primeiro lugar está a vida; a vida das pessoas”, acrescenta.
O bispo auxiliar de Caracas admite que “só por milagre será possível encontrar nos escombros pessoas ainda com vida”, e revela que “o medo de um futuro incerto, de uma replica forte continua a pairar sobre toda a sociedade” pelo que “a Igreja tem de prosseguir o seu trabalho de proximidade, e o seu trabalho pastoral”.
“Através da Cáritas estamos próximos e não esquecemos a atenção pastoral e espiritual, acompanhando a vida das pessoas com Missas e fazendo atendimento pessoal, ouvindo os seus testemunhos que são muito importantes para as pessoas desabafarem e sentirem-se acompanhadas nestes momentos”, adianta D. José Dionísio.
Para reforçar a dimensão da tragédia de há duas semanas, o bispo auxiliar de Caracas refere que na sua terra natal, La Guaira “há muita, muita gente sem nada, porque ficaram muitos negócios destruídos, assim como escolas, e centros médicos”.
E assinala que “a Igreja de La Guaira também está muito afetada”. “Também aqui em Caracas temos mais de 20 igrejas que ficaram inutilizáveis, não se podem usar para o culto, tem que utilizar a rua”, acrescenta. ”Então também a igreja foi muito afetada, há muitas Igrejas que tem que ser recuperadas”, conclui.