Custos de produção dos medicamentos genéricos estão a aumentar. Pode haver rutura nas farmácias?
- 08/07/2026 04:04
- Redação
Estão a aumentar os custos de produção dos medicamentos genéricos - que representam cerca de metade dos medicamentos vendidos nas farmácias. A indústria avisa os preços praticados em Portugal podem fazer com que o mercado se torne menos atrativo.
Pode, em algumas situações, se Portugal deixar de ser competitivo face a outros países europeus. Primeiro porque os preços dos genéricos em Portugal são baixos e a diferença face a mercados de referência pode ultrapassar os 30%.
Por outro lado, está cada vez mais caro produzir e transportar medicamentos, devido ao aumento do aumento do custo das matérias-primas, dos seguros e da instabilidade internacional — motivada, em grande parte, pela guerra no Médio Oriente.
Portanto, se uma farmacêutica tiver de escolher onde colocar um medicamento, pode preferir países onde o preço compensa mais.
Podem faltar alguns genéricos. Mas, por agora, não se antecipa um cenário de rutura generalizada. A questão é: se Portugal continuar a praticar preços muito baixos, numa altura em que produzir e transportar medicamentos está mais caro, as empresas podem dar prioridade a países onde a venda compensa mais.
E aqui o risco é que alguns medicamentos deixem de chegar com a mesma regularidade às farmácias portuguesas. Mas não se trata de uma rutura.
Medicamentos para a hipertensão, colesterol ou diabetes, porque são usados por muitos doentes e têm margens mais reduzidas. Ainda assim, é importante sublinhar que não existe uma lista de medicamentos em risco de rutura.
Porque alguns medicamentos estão a perder viabilidade económica. Os genéricos são mais baratos do que os medicamentos de marca e funcionam com margens mais apertadas.
E com os custos de produção a subir, os preços atuais podem deixar de compensar.
Com mais incentivos para aumentar o uso de genéricos. A Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde pede medidas dirigidas a médicos e farmacêuticos para reforçar a prescrição e a dispensa destes medicamentos.
O objetivo é aproximar Portugal de outros países europeus, onde os genéricos representam pelo menos três em cada quatro medicamentos dispensados fora dos hospitais.
Por outro lado, o setor defende uma revisão dos valores para garantir que estes medicamentos continuam disponíveis no mercado português.
Pode acontecer, mas não é automático. Depende do medicamento, do preço final e da comparticipação do Estado. A acontecer, uma parte dessa subida pode ser suportada pelo Serviço Nacional de Saúde.
Ainda assim, o setor insiste que os genéricos continuam a compensar, porque possibilitam poupanças significativas face aos medicamentos de marca.
Portanto, continuam a ser uma forma de poupar dinheiro às famílias e ao Estado, mas essa poupança só existe se os medicamentos continuarem disponíveis.
O problema é que o barato pode sair caro. Neste caso, preços demasiado baixos tornam o mercado menos competitivo e podem levar as farmacêuticas a dar prioridade a outros mercados.