Como se vive um Mundial em alto mar? "Nos golos, até o navio abanou". O Navio Escola Sagres está em Nova Iorque
- 08/07/2026 08:00
- Redação
Há finalmente um rival. Em Nova Iorque – e logo em Nova Iorque! – há um elemento português que consegue rivalizar com Cristiano Ronaldo em pleno Mundial e fazer furor junto de estrangeiros e lusos.
Não sabe finalizar, mas cruza bem qualquer oceano – neste caso foi “apenas” o Atlântico – e impõe respeito pela altura. Falamos do Navio Escola Sagres, que por estes dias tem estado atracado junto à Ponte de Brooklyn, no coração de Nova Iorque.
Ainda estávamos na outra margem e já os 46 metros de altura da embarcação portuguesa se destacavam das várias que estão no Pier 1 do Rio East. O NRP Sagres chegou no último dia 3 de julho para participar na Sail4th 250, que junta navios de vários países na celebração dos 250 anos dos Estados Unidos da América e logo na altura do Campeonato do Mundo.
Mas isso não tem de ser um problema. Bola Branca visitou o Navio Escola Sagres, junto à Ponte de Brooklyn, e percebeu que seja em alto mar ou atracados, a tripulação do NRP Sagres não deixou de viver os jogos da seleção.
“A maior parte dos jogos assistimos aqui a bordo, numa tela que montámos no poço, que é uma parte do nosso navio. Toda a guarnição e todos os cadetes juntaram-se para ver os jogos e para torcer para Portugal”, descreve o cadete de segundo ano Pires Rodrigues.
E quando houve golos – infelizmente não tantas vezes como as que queríamos – a experiência da guarnição da Marinha portuguesa com enjoos acabou por valer de alguma coisa. “Quando Portugal marcava, o pessoal ficava louco. Abanava o navio! A única maneira de festejar era aqui a bordo, portanto”, diz com um sorriso o Segundo Marinheiro Alves.
E mesmo quando não houve dias de jogo, o Mundial continuou a estar presente. O Navio Escola Sagres recebeu um número sem fim de pessoas, na sua maioria estrangeiros. E o Mundial vinha sempre à baila. “Quando entravam no navio, muitos dizem que adoram o país. Muitos também começam a falar sobre futebol, como é óbvio. Ronaldo para ali, Ronaldo para aqui. Mesmo na rua, quando passam por nós e veem que somos portugueses ouve-se logo ‘Siiiiu’”, diz o também Cadete Aguiar Fragoso.
Ronaldo continua a ser o herói nacional no internacional, mas quando são pés lusos a pisar as tábuas do navio e a visitar aquele pedaço de Portugal, aí o símbolo passa a ser outro.
“É sempre uma reação de espetacularidade estar a bordo deste navio. Especialmente para os portugueses, que quando vêm aqui a bordo sentem sempre que estão a pisar Portugal e relembram com saudade os seus tempos em casa. Dá um sentido maior à nossa presença aqui, à missão e ao trabalho que temos aqui a bordo”, afirma o Tenente Gonçalves Dias.
E acrescenta. “O futebol é o desporto-rei em Portugal e uma boa parte do mundo gosta também. Mas há tantas outras coisas. Nós já tivemos aqui jovens portugueses cientistas que dão contributo ao mais alto nível na ciência. Também diplomatas, políticos que representam o país e fazem um trabalho extraordinário”.
Não é só futebol e durante vários dias o Navio Escola Sagres brilhou mais do que qualquer jogador da seleção, na representação de Portugal. E nisso é certo: chegou primeiro – e unicamente – a Nova Iorque neste mês de julho que se esperava de sonho desportivo.
A próxima paragem será Boston, numa viagem que já dura desde o dia 30 de abril.