Montenegro quer chegar aos 3,1% do PIB em Defesa
- 08/07/2026 10:46
- Redação
O primeiro-ministro pediu esta quarta-feira que o processo de paz no Irão tenha "menos perturbação e mais consistência". Luís Montenegro anunciou também que Portugal pretende alcançar, até ao final do ano, 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas de Defesa.
Em conferência de imprensa no final da cimeira de chefes de Estado e de Governo da NATO, em Ancara, Luís Montenegro afirmou que o Governo tem sempre defendido que a "via diplomática, negocial é a correta para restabelecer a normalidade no Médio Oriente".
Por isso, "aquilo que nós desejamos é que este processo [de paz] possa ter menos perturbação e mais consistência ao longo do tempo. É algo que não depende de nós, depende das partes envolvidas", afirmou.
O primeiro-ministro insistiu que o desejo do Governo português é que, "não obstante algumas polémicas intermitentes na relação entre as partes envolvidas, possa preponderar o que é essencial: uma solução de cessar-fogo que permita restabelecer a normalidade naquela região".
Montenegro defendeu que a normalidade no Médio Oriente é fundamental para garantir a "navegabilidade no Estreito de Ormuz", com as consequências que isso tem do ponto de vista económica, mas também assegurar que o Irão "não tem uma arma nuclear" e que a segurança da Aliança não é "colocada em causa por esta via".
"No que a mim me diz respeito, acabou", respondeu Donald Trump aos jornalistas à margem da cimeira da NATO, que termina esta quarta em Ancara, capital da Turquia.
Trump afirmou que "não quer lidar mais com essa gente", apelidando os líderes iranianos de "escumalha", "mentirosos" e "pessoas violentas e cruéis que se tivessem uma arma nuclear, usá-la-iam".
"Temos desenhado já para este ano de 2026 o reforço precisamente desse investimento, quer na componente exclusivamente dedicada à Defesa, quer na componente de utilização dual, que vai fazer com que, de acordo com aquilo que é a nossa estimativa e expectativa, no final deste ano o agregado destas duas componentes signifique cerca de 3,1% do nosso PIB já em 2026", anunciou o chefe do executivo.
Além dos 2,1% que a NATO já prevê que Portugal invista em matérias exclusivamente dedicadas à Defesa (como Forças Armadas ou material militar), o Governo prevê um reforço adicional noutras vertentes para chegar ao valor de 3,1% do PIB.
"Estamos a falar de investimentos em infraestruturas de energia, de comunicações, de várias áreas setoriais do Governo. Investimentos que também são contabilizados para podermos atingir o objetivo que está determinado desde a Cimeira de Haia dos 5%. Como sabem, são 3,5% no investimento exclusivo em capacidades militares e 1,5% nas demais", disse o primeiro-ministro.
Interrogado sobre exemplos, Luís Montenegro respondeu que "a rede de energia do país" ou "a rede de grandes infraestruturas que permitem maior mobilidade, são exemplos disso mesmo".
"Eu diria até que o programa de transformação, recuperação e resiliência que Portugal está hoje já a executar, que visa dar maior resistência e resiliência às nossas infraestruturas, incluindo as infraestruturas críticas, é um plano que naturalmente contribui para que este volume cresça e cresça já em 2026, porque estamos a falar de vários desses investimentos", completou.
O chefe do executivo realçou ainda que Portugal conseguiu superar a meta dos 2% do PIB pela primeira vez desde que a meta foi assumida, em 2014, atingindo 2,01%.
Luís Montenegro afirmou ainda que esta cimeira foi "uma oportunidade" para Portugal demonstrar a sua "trajetória de investimento e a sua credibilidade".
"Posso até partilhar convosco que fomos alvo de um comentário positivo, muito positivo, diria mesmo elogioso, por parte do secretário-geral da NATO [Mark Rutte], relativamente à fiabilidade do compromisso que assumimos e da sua concretização", relatou. .