PCP acusa ministro da Educação de recusar dar explicações no Parlamento
- 08/07/2026 11:52
- Redação
O PCP admite avançar com um pedido de debate de urgência se o ministro da Educação não for ao Parlamento antes de 16 de julho, dia do Debate do Estado da Nação, para prestar esclarecimentos sobre a correção dos exames nacionais e o novo calendário.
“O ministro esteve hoje na Assembleia, nós estamos cá, podíamos ter aproveitado, resolvíamos já este problema, mas o ministro achou que não era a altura. Portanto, se o ministro entender manter este “empurrar com a barriga para a frente”, nós temos sempre a possibilidade de avançar com um debate de urgência”, disse Paulo Raimundo.
Para dia 16 está marcado o debate do Estado da Nação, mas o secretário-geral do PCP considera que esse debate de urgência podia ocorrer no dia 17, cuja sessão plenária tem apenas prevista a realização de votações.
O PCP entregou na passada segunda-feira um pedido potestativo que força a audição do ministro da Educação no Parlamento, mas Paulo Raimundo ainda não recebeu qualquer indicação por parte do ministério da data em que Fernando Alexandre irá ao Parlamento.
Em declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo diz que as explicações sobre esta “trapalhada” dos exames nacionais têm de ser dadas esta semana ou no início da próxima e não podem ficar para mais tarde, contestando as prioridades de Fernando Alexandre para as entrevistas na televisão.
“O Senhor Ministro tem tido uma agenda muito disponível para as entrevistas nas televisões, para levar os jornalistas até às salas onde estão os exames, mas, não teve disponibilidade para apresentar a data em que cá vinha, explicar na Assembleia as medidas que está a tomar”, referiu o deputado comunista.
Fernando Alexandre participou esta quarta-feira na Assembleia da República, no encerramento de um seminário sobre ensino profissional, e à saída fugiu às perguntas dos jornalistas, garantindo apenas estar a trabalhar para resolver o problema.
“Estamos a resolver, estamos a resolver tudo. Estamos a trabalhar”, disse o ministro, sem parar para falar com os jornalistas.
Questionado sobre as explicações que Fernando Alexandre tem dado nos últimos dias sobre a correção dos exames e as datas previstas para a segunda fase e para a divulgação das notas, Paulo Raimundo lembra que não se pode confiar na palavra do ministro que já disse uma coisa e o seu contrário.
“Convenhamos que das palavras do senhor ministro não se pode concluir grandes certezas, porque o mesmo que disse que era a 17, também disse que era a 14 e supostamente devia ser a 10, e, portanto, não se pode ter grande confiança nestas palavras e nesses compromissos”, argumentou Paulo Raimundo.
O líder do PCP lembra que em agosto do ano passado o Partido Comunista já tinha alertado para a reorganização do Ministério da Educação que, na sua opinião, levou ao desmantelamento de vários serviços que terão levado a esta situação.
“O Governo e o primeiro-ministro são responsáveis porque decidiram desmantelar um conjunto de organismos do Ministério da Educação, cujas consequências estão à vista de todos. Em concreto, com a entrega de serviços que o Ministério da Educação assegurava a empresas de outsourcing”, concluiu Paulo Raimundo.