Duas novas missões portuguesas vão ser lançadas para o espaço
- 09/07/2026 11:29
- Redação
O ISTAat-1 tornou-se um marco para o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e para o setor espacial nacional, ao ser lançado a 9 de julho de 2024, a bordo do voo inaugural do Ariane 6 da Agência Espacial Europeia (ESA).
Ao longo dos últimos dois anos, a equipa do IST NanosatLab, laboratório do Técnico situado no Campus Oeiras, tem acompanhado diariamente a operação do satélite a partir da estação-terra instalada no campus, bem como pelos dados recolhidos pela estação CT2GUR do radioamador Paulo Delgado da AMRAD, permitindo aperfeiçoar os sistemas de comunicações e retirar ensinamentos que estão hoje a ser incorporados em novos projetos, nomeadamente nas missões “5G Nanosatellite” e “Argus”.
O primeiro projeto é uma parceria entre a Altice Labs, o IST NanosatLab e a Universidade do Luxemburgo, financiada pela Agência Espacial Europeia no âmbito do programa ARTES.
A missão “5G Nanosatellite” pretende demonstrar a ligação direta entre um satélite em órbita baixa e a rede terrestre 5G. O projeto combina um terminal 5G User Equipment, desenvolvido pela Altice Labs, com uma antena compacta para a banda n28 (700 MHz), desenvolvida pelo NanosatLab nos laboratórios do Instituto de Telecomunicações, com o objetivo de multiplicar as janelas de transferência de dados a partir de satélites, hoje tipicamente limitadas a quatro períodos de dez minutos por dia.
Há também a missão “Argus”, desenvolvida em parceria entre o IST NanosatLab e a Carnegie Mellon University (CMU), com lançamento previsto para outubro, a bordo da missão Transporter-18 da SpaceX.
Constituída por dois CubeSats de uma unidade (Argus-1 e Argus-2), a missão pretende demonstrar novas formas de determinar autonomamente a posição e orientação de satélites em órbita recorrendo a algoritmos de inteligência artificial executados diretamente a bordo.
Equipados com quatro câmaras e um processador NVIDIA Jetson Orin Nano, os satélites vão analisar imagens da superfície terrestre para apoiar a navegação autónoma em órbita. A equipa do IST NanoSatLab vai estudar a influência de parâmetros do sinal, como largura de banda, relação sinal-ruído ou duração do sinal, na precisão da estimação de parâmetros orbitais a partir do desvio de Doppler. O comando e controlo da missão vai ser assegurados a partir da estação terrestre instalada no campus Oeiras do Técnico.
"O ISTSat-1 demonstrou que o Instituto Superior Técnico tem capacidade para desenvolver tecnologia espacial de forma integrada, envolvendo estudantes, investigadores e parceiros nacionais e internacionais. Hoje temos uma equipa mais experiente, uma infraestrutura consolidada e conhecimento que nos permite participar em missões mais ambiciosas.”, afirma João Paulo Monteiro, investigador do IST NanosatLab e do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa).
O impacto do ISTSat-1 faz-se sentir também na formação de novas gerações de engenheiros. O projeto esteve na origem do fortalecimento da comunidade estudantil dedicada ao desenvolvimento de satélites, particularmente, no grupo LISAT – Lisbon Student Satellite Team, que desenvolve o seu próprio satélite sob orientação dos investigadores do laboratório, beneficiando diretamente da experiência acumulada ao longo da missão pioneira.
Dois anos depois do lançamento, o ISTSat-1 permanece como o ponto de partida de um programa espacial em crescimento no Instituto Superior Técnico, reforçando a capacidade do IST NanoSatLab para desenvolver tecnologia espacial de forma integrada, da conceção e construção dos sistemas à sua operação em órbita.