Álvaro Santos Pereira lamenta ter sido imprevidente ao comprar ações quando já era governador

  • 09/07/2026 12:27
  • Redação

Apesar de insistir que se tratou e um “equivoco, imediatamente sanado”, Álvaro Santos Pereira admite, e lamenta, ter cometido "uma imprevidência" ao adquirir comprar ações já depois de assumir as funções de governador do Banco de Portugal.

“Uma imprevidência, sem dúvida nenhuma, e ninguém mais lamenta essa imprevidência do que eu. Eu sempre pautei a minha vida por regras de ética e de conduta muito fortes e ninguém ficou mais incomodado quando eu soube o que tinha acontecido, tinha feito esta imprevidência”, disse esta quinta-feira no Parlamento.

Apesar de assumir a "imprevidência", Álvaro Santos Pereira sublinha que foi proactivo e alienou todos os títulos adquiridos assim que foi informado, pelo Banco Central Europeu, de que - enquanto Governador do Banco de Portugal - não poderia comprar ações.

“No dia 1 de abril, o BCE transmitiu-me que a compra de ações, mesmo de empresas não financeiras, não era possível e que os títulos adquiridos tinham de ser vendidos", detalhou o governador. "Foi precisamente isso que fiz, e imediatamente, sem hesitar. As regras do BCE permitem que os governadores tenham títulos de empresas não financeiras quando tomam posse, mas não que os adquiram. Essa distinção esteve na raiz deste equívoco. Foi um erro de interpretação que corrigi de imediato, assim como foi assinalado.”

Álvaro Santos Pereira esclareceu, por outro lado, que não ficou com as mais-valias de 3.361 euros, obtidas na venda das referidas ações e revelou ter doado a totalidade dos ganhos à Make-a-Wish Foundation: “Gostaria ainda de esclarecer que não obtive qualquer benefício pessoal com estas operações”.

O governador do Banco de Portugal insiste que foi o próprio BCE a considerar o assunto encerrado.

Álvaro Santos Pereira assinala, por outro lado, que não poderia ter qualquer informação privilegiada sobre as ações adquiridas, ou reforçadas, quando já tinha assumido as suas funções.

“Como foi público e comunicado, quer por mim, quer pelo Banco de Portugal, em dezembro de 2025, reforcei o investimento que tinha com títulos da Gerónimo Martins e adquiri títulos da Galp Energia. No mês seguinte, adquiri ações da Nestlé e da Navigator, tendo reforçado a compra de títulos as duas primeiras também", disse Santos Pereira.

"Estamos a falar de empresas não financeiras, fora do perímetro da supervisão do Banco Central e em relação às quais nem eu nem o Banco de Portugal temos poder de interferência e sobre as quais não temos qualquer tipo de informações privilegiadas”, argumentou

Apesar de todas estas explicações, o Governador do Banco de Portugal não se livrou de ouvir fortes críticas, nomeadamente por parte do PS. O deputado Carlos Pereira acusou de Álvaro Santos Pereira de ter caído num "pântano de ética".

“O Sr. Governador não tropeçou num regulamento, não foi um esquecimento do regulamento. O Sr. Governador caiu num pântano de ética e de hipocrisia. No mesmo dia em que participou numa reunião do BCE, cujo tema é fácil de compreender, basta consultar as agendas e perceber que falava de inflação, que falava de energia. É muito estranho que o Sr. Governador não ache anormal que depois de sair de uma reunião dessa natureza vá adquirir ações da Galp e depois, passado uns tempos, vai adquirir ações da Jerónimo Martins”, acusou.

  • Fonte: Rádio Renascença
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