"Não é um treinador do sistema". As bandeiras à janela vão regressar com Jesus na seleção

"Não é um treinador do sistema". As bandeiras à janela vão regressar com Jesus na seleção

  • 09/07/2026 12:45
  • Redação

"Em cada janela, uma bandeira de Portugal". Foi com este apelo que Luís Felipe Scolari conseguiu que, em 2004, o país se unisse, criando uma autêntica febre à volta da seleção. Agora, 22 anos depois, Jorge Jesus vai conseguir fazer o mesmo, segundo Jorge Pereira, dirigente que trabalhou muitos anos com o novo selecionador nacional.

"O Jesus vai ter essa capacidade, como teve o Scolari, de nos obrigar a pôr uma bandeira, a sentir a seleção e sermos adeptos, independentemente do nosso clube. E acredito que consiga isso com a sua simplicidade e, sobretudo, pelo futebol que vai pôr a seleção a jogar", afirma Jorge Pereira a Bola Branca.

O dirigente de 67 anos trabalhou quatro épocas com Jorge Jesus, numa fase ainda inicial da longa carreira do técnico.

Tudo começou em 1997, no já extinto FC Felgueiras, no início do século, em 2000. Lançou o desafio de orientar o Vitória FC e ajudar na subida dos sadinos - que aconteceu - e, em 2005, reencontraram-se na União de Leiria.

Tantos anos depois, Jorge Pereira guarda muitas histórias dos tempos de convivência com o mais que provável novo selecionador, um "bicho do futebol", mas confessa que não esperava por este desfecho, mas já sabe que, o facto de abraçar, pela primeira vez, uma seleção, não o vai fazer desacelerar.

"Não estava à espera. Não é que ele não mereça, porque merece chegar a este patamar. Eu também, às vezes, penso que ele não é bem um treinador para trabalhar de três em três meses. Mas vai, de certeza, ganhar muitas milhas em qualquer companhia aérea. Ele não vai ficar por Portugal. Vai acompanhar os jogadores, pessoalmente", assegura.

Em muitos anos de dirigente, Jorge Pereira não sente qualquer prurido ao afirmar que Jesus é o "melhor em termos táticos e de análise do adversário", que "vive o futebol 24 horas por dia".

"Ele estava há 10 dias no Vitória e, depois de um treino, disse-me, 'daqui vai sair o melhor lateral direito da Europa'. Na altura, era o Nelson Veiga o titular e, com todo o respeito por ele, pensei que ele não estava a ver bem. Era um grande jogador, mas chegar a esse patamar... Ele disse-me para esperar até domingo, o dia do jogo. Quem foi titular? O Paulo Ferreira, que foi transferido no ano seguinte para o FC Porto e, depois, é o que se sabe", recorda.

O desafio que se segue para quem orientou quase 20 clubes é a primeira seleção e logo a portuguesa. Jorge Pereira não arrisca dizer que os títulos estão garantidos, mas garante que, "pela primeira vez na história, a seleção vai ter uma identidade". Para o dirigente não há outro cenário para a seleção de JJ que não "jogar sempre para ganhar" e, deixa ainda outra promessa: com Jesus não fretes, porque "não é um treinador do sistema".

"Conhecendo-o, ele não vai por nomes, vai pela qualidade e pela entrega. Não há fretes. Só joga quem merece e até podem surgir de equipas que a gente nem espera. Desde que ele veja que pode corresponder e trazer-nos resultados positivos, não tem problemas de fazer isso. Jorge Jesus não é um treinador do sistema e, quando assim é, temos a certeza que cada jogador que for chamado é porque merece ser chamado e não porque é obrigatório ser convocado", vinca.

  • Fonte: Rádio Renascença
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