Risco de extinção: moluscos das profundezas e rã-da-chuva-do-deserto entre as espécies mais vulneráveis
- 09/07/2026 17:16
- Redação
A nova avaliação destaca o agravamento da situação de moluscos das profundezas marinhas, da rã-da-chuva-do-deserto e de árvores raras do Reino Unido e da Irlanda.
A IUCN indica que 62% dos moluscos endémicos das fontes hidrotermais, 125 das 201 espécies conhecidas, estão ameaçados de extinção devido à mineração em mar profundo. Entre estes encontram-se caracóis, lapas, mexilhões, amêijoas e quítones, afetados pela exploração de minerais que levanta sedimentos e compromete a respiração e a alimentação destes animais.
O caracol Lirapex felix entrou pela primeira vez na Lista Vermelha classificado como Criticamente em Perigo, enquanto espécies como Provanna exquisita permanecem classificadas como Pouco Preocupantes por ocorrerem em áreas marinhas protegidas onde a mineração é proibida.
Na África do Sul e na Namíbia, a rã-da-chuva-do-deserto (Breviceps macrops) passou da categoria Quase Ameaçada para Vulnerável.
Apesar do agravamento da situação de várias espécies, a atualização apresenta também um exemplo positivo. O numbat (Myrmecobius fasciatus), um pequeno marsupial australiano, passou da categoria Em Perigo para Quase Ameaçado graças a décadas de controlo de gatos e raposas invasores, reprodução em cativeiro e reintrodução na natureza. A IUCN alerta, contudo, que a espécie continua dependente destas medidas para assegurar a sua sobrevivência.
A organização confirmou igualmente a extinção de cinco marsupiais australianos recentemente reconhecidos após revisão taxonómica: o pequeno bettong (Bettongia haoucharae) e quatro espécies de mulgara, Dasycercus cristicauda, Dasycercus archeri, Dasycercus woolleyae e Dasycercus marlowi.
"A vida na Terra adaptou-se para sobreviver nos habitats mais hostis e invulgares, mas mesmo essas espécies enfrentam agora ameaças crescentes. A conservação da natureza funciona e continua a ser o caminho para enfrentar a crise da biodiversidade", afirmou Grethel Aguilar, diretora-geral da IUCN.