Testemunha diz que Daphne Caruana Galizia gritou antes da explosão que a matou
- 09/07/2026 19:37
- Redação
Uma testemunha descreveu esta quinta-feira em tribunal os últimos instantes de vida da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia, morta em 2017 na sequência da explosão de uma bomba colocada sob o banco do condutor do seu automóvel.
O depoimento foi prestado no julgamento de Yorgen Fenech, acusado de ter ordenado o homicídio.
Caruana Galizia investigava casos de corrupção política e financeira em Malta quando foi assassinada. Segundo a acusação, a bomba foi acionada remotamente. A forma como as autoridades conduziram a investigação desencadeou protestos e culminou com a demissão do então primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat.
Francis Sant, vizinho da jornalista, afirmou que seguia na direção oposta quando a viu ao volante. Disse ter percebido que algo estava errado e descreveu uma sequência de duas explosões.
"Percebi que alguma coisa lhe tinha acontecido. Parecia em pânico", afirmou Francis Sant. "Ainda estava consciente. Ouvi-a gritar. A janela estava aberta, talvez tenha tentado baixá-la para sair. Depois surgiu uma grande explosão através do para-brisas. O carro perdeu o controlo e uma segunda explosão destruiu-o completamente."
Sant explicou ainda que saiu do carro após a explosão, mas não telefonou de imediato para os serviços de emergência.
O tribunal ouviu também vários agentes da polícia que chegaram ao local pouco depois da explosão.
A sargento Susanne Mifsud afirmou que encontrou o veículo totalmente destruído num campo junto à estrada e que rapidamente concluiu que não se tratava de um incêndio, mas de um atentado com bomba.