Jornalismo de opinião e erros
- 10/07/2026 02:48
- Redação
O semanário britânico The Economist, fundado em 1843 para defender o comércio livre, é hoje considerado uma importante fonte de informação e análise sobre política e economia. Por vezes engana-se, facto que o semanário encara com naturalidade.
Ser desmentido pelo mercado não é um drama para um jornal defensor do livre mercado. Citando um antigo diretor, cujo nome não revela, o Economist lembra que é um jornal de opinião e de pontos de vista. “Pomos a cabeça de fora, por isso corremos o risco de, às vezes, ela ser atingida”.
Foi o que aconteceu agora, quando o Economist previa que o preço do petróleo não iria baixar, como afinal baixou. O semanário explica porque se enganou e, mais importante, promete continuar a fazer previsões, correndo por isso o risco de se voltar a enganar.
O jornal recusa-se a evitar previsões, refugiando-se em textos burocráticos, que não tomam partido. Para o semanário, fazer previsões – que os acontecimentos poderão desmentir – é sempre útil. “Uma bem articulada argumentação estimula o pensamento de quem a lê, mesmo quando se revela errada”.
Por isso o Economist pede desculpa pelo seu erro, mas diz que continuará a fazer previsões. É também por isso que leio este semanário há décadas.