"Muitas semelhanças com Pedrógão". Português em Almería fala da "maior tragédia de sempre"

"Muitas semelhanças com Pedrógão". Português em Almería fala da "maior tragédia de sempre"

  • 10/07/2026 06:34
  • Redação

Apesar de não viver na zona mais diretamente afetada pela catástrofe, este português acompanha “com muita preocupação” a evolução de uma tragédia que já provocou pelo menos 11 mortos e deixou cerca de 20 pessoas desaparecidas.

Um cenário que traz de volta à memória a tragédia de 2017 em Pedrógão Grande: “É uma situação muito parecida à de Pedrógão. Foi um incêndio numa zona seca, que deflagrou de uma maneira rápida e, quando se estava a tentar proceder à evacuação, as pessoas foram apanhadas dentro dos próprios veículos e outras na tentativa de sair da zona afetada”, relata.

“Tomaram uma decisão — nem sei se foi uma decisão — foram apanhadas pelo incêndio", acrescenta.

João Gonçalves sublinha que, na cidade de Almería, não há perigo imediato, mas há preocupação e consternação. “Nós aqui estamos em segurança, mas preocupados. Especialmente as pessoas daqui. Isto foi a maior tragédia de sempre de Almería e, creio, da Andaluzia.”

O incêndio ainda não está totalmente dominado. João Gonçalves diz que a informação disponível aponta para um fogo “50% a 60% controlado”, mas ainda com zonas ativas e de difícil acesso.

“O número de vítimas ainda pode aumentar, porque há pessoas desaparecidas, há casas circundadas pelo fogo e não se sabe se há gente dentro das casas, dentro de carros ou se algumas foram apanhadas na fuga”, explica.

Mais de 1.000 pessoas foram retiradas preventivamente das localidades próximas e as autoridades cortaram acessos à zona atingida e pediram à população que não se aproxime do perímetro do incêndio.

“Agora está mais controlado do que no início, porque já cortaram todos os acessos àquela zona. Já ninguém pode entrar naquele perímetro. Mas o fogo ainda não está totalmente controlado”, acrescenta João Gonçalves.

A solidariedade começou também a organizar-se. Há escolas e espaços públicos a serem preparados para acolher pessoas evacuadas, com dormida e alimentação. Ao mesmo tempo, as autoridades querem evitar que familiares ou voluntários entrem em zonas perigosas à procura de desaparecidos.

“As pessoas estão disponíveis para ajudar, mas neste momento as autoridades querem que ninguém se aproxime da zona de perigo”, explica o diretor desportivo da UD Almería.

“A solidariedade é mais para aqueles que foram desalojados. Estão a montar escolas e áreas para dar dormida e comida a essa gente”, conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
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