“O paradigma atual é de guerra. O paradigma da paz já não é central”

“O paradigma atual é de guerra. O paradigma da paz já não é central”

  • 10/07/2026 11:47
  • Redação

Numa altura em que Portugal se prepara para assumir assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, assinou esta sexta-feira um acordo de cooperação com a Comunidade de Santo Egídio.

A organização católica está presente no terreno em muitos países em conflito, que tem um papel de apoio às populações e uma larga experiência na diplomacia, já colaborava de forma “casuística” com Portugal, referiu esta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Paulo Rangel afirmou que este acordo assinado em Lisboa vem dar “enquadramento”, já que “Portugal tem grande tradição de interação com comunidade de Santo Egídio.

Um dos exemplos em que Portugal e a comunidade trabalharam em cooperação é o acordo de paz em Moçambique. Este país lusófono é um dos alvos deste acordo agora assinado, mas que é mais abrangente, indicou o chefe da diplomacia em conferência de imprensa.

Rangel, que enalteceu a presença da Comunidade de Santo Egídio “em todo o território africano” como “enorme e louvável”, sublinhou que a organização tem um papel importante “na defesa de direitos humanos, na cooperação, na assistência humanitária, na saúde e alimentação”.

“Podemos ser parceiros”, referiu Paulo Rangel que destacou o mandato de Portugal no Conselho de Segurança. O “conhecimento da Comunidade de Santo Egídio, especialmente em zonas mais atormentadas por guerra será muito útil ao mandato”.

Por seu lado, Andrea Riccardi, o fundador da comunidade de Santo Egídio, mostrou-se “muito feliz com este acordo, porque consagra uma relação com laços históricos”, referiu.

Este historiador e antigo ministro da cooperação internacional de Itália faz um diagnóstico sobre o atual estado do mundo, dizendo que “estamos a atravessar um momento difícil”

“O paradigma atual é o paradigma da guerra. O paradigma da paz já não é central, mas estamos convencidos de que é necessário reforçar a paz. A nossa força é uma força débil, uma força de diálogo, uma força de amizade e de compreensão do interesse comum de todos os povos”, referiu.

“Pensemos na Ucrânia, na Terra Santa, no Sudão, Birmânia, pensemos no Kivu e nos bombardeamentos no Irão. A diplomacia está desvalorizada, a mesa das negociações foi abandonada. Acredito que é preciso regressar ao diálogo e que a diplomacia é uma arte nobre, uma invenção da civilização que não deve ser menosprezada. Por isso, é preciso reabilitar a diplomacia. A Comunidade de Santo Egídio acredita firmemente nisso”.

Conhecedor profundo da realidade de Moçambique, Riccardi mostra-se preocupado sobretudo com os últimos acontecimentos com o assassinado do bispo de Quelimane. “Foi dramático”, classificou.

“O país precisa de solidariedade e cooperação”, diz o fundador da Comunidade de Santo Egídio que tem esperança numa mudança. Embora a situação de terrorismo no norte do país o preocupe, Riccardi assume que tem “confiança no futuro de Moçambique”.

“Já falei várias vezes com o presidente Chapo e acredito que ele tem em mente uma mudança, uma melhoria da situação. Temos de acompanhar Moçambique e ajudá-lo a sair desta situação difícil”, rematou.

Andrea Riccardi falou ainda da situação em outros países onde atuam, nomeadamente na Ucrânia e em Cuba.

“Há uma forte presença na Ucrânia e há um empenho na ajuda alimentar e médica. Já contribuímos com 30 milhões de euros. Estamos também em Cuba onde temos estado a enviar ajuda alimentar. O nosso espírito é não isolar ninguém e ter em conta todos os caminhos de diálogo”, sublinhou em Lisboa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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