O que já sabemos sobre o incêndio em Almería?
- 10/07/2026 10:39
- Redação
As chamas deflagraram na noite de quinta-feira e já consumiram cerca de 3.000 hectares numa zona de difícil acesso, marcada por ventos fortes, vegetação seca e numerosas habitações dispersas. O combate ao incêndio mobiliza centenas de operacionais e meios terrestres e aéreos, enquanto prosseguem as buscas por desaparecidos e a investigação às causas do fogo.
O incêndio deflagrou na noite de quinta-feira na zona de Los Gallardos, na província de Almería, na Andaluzia.
Até ao momento, há 12 mortos, 23 desaparecidos, oito feridos e cerca de 600 desalojados. Quatro dos feridos estão em estado grave, com queimaduras.
Das 600 pessoas retiradas da zona, 193 já foram realojadas num teatro em Lubrín, num pavilhão em Garrucha e num convento em Bédar.
A principal hipótese das autoridades aponta para a queda de um poste elétrico junto a uma estrada perto de Los Gallardos. Um alerta para o 112 referiu a queda de um cabo preso a um poste elétrico no quilómetro 511 da N-340-A, no município de Antas.
O fogo já atingiu cerca de 3000 hectares, sobretudo em Los Gallardos, município com cerca de 3200 habitantes. As chamas avançaram também em direção à zona de El Pinar, perto de Bédar.
O vento, com rajadas de 50 quilómetros por hora, a vegetação seca e a orografia dificultam o combate. A zona tem barrancos de difícil acesso e muitas casas isoladas em áreas florestais.
As autoridades indicam que muitas vítimas serão estrangeiras, sobretudo britânicas e belgas. Quatro corpos foram encontrados dentro de um carro com volante à direita, o que levou a Junta da Andaluzia a admitir que possam ser britânicos.
Sete pessoas morreram ao tentar fugir das chamas por uma saída alternativa. Segundo as autoridades, essa opção acabou por se transformar numa armadilha sem saída. Duas pessoas do mesmo grupo conseguiram sobreviver.
O conselheiro andaluz da Presidência, Saúde e Emergências, Antonio Sanz, disse que parte das mortes está relacionada com a decisão de algumas pessoas seguirem um percurso diferente do itinerário de evacuação indicado pelas autoridades.
O dispositivo integra meios da Junta da Andaluzia e do Governo espanhol. O Infoca mobilizou 180 bombeiros, 21 equipas e nove camiões. A Unidade Militar de Emergências (UME) foi accionada pelo Governo espanhol, a pedido da Junta da Andaluzia, elevando para cerca de 640 o número total de operacionais envolvidos.
A Guardia Civil tem destacados 160 operacionais, apoiados por 52 veículos, dois helicópteros e dois drones.
A Unidade Militar de Emergências (UME) participa na operação com 220 efetivos e 70 veículos.
O Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico enviou quatro aviões anfíbios e um helicóptero para apoiar o combate às chamas.
Com um balanço provisório de 12 mortos, o incêndio de Los Gallardos é já o mais mortífero alguma vez registado na Andaluzia e um dos mais letais em Espanha.
Segundo os dados divulgados pelas autoridades espanholas, apenas dois incêndios florestais registaram um número superior de mortos: o de Lloret de Mar, em 1979, com 21 vítimas mortais, e o da ilha de La Gomera, em 1984, com 20 mortos.
Até ao incêndio de Los Gallardos, o fogo de Guadalajara, em 2005, era o mais mortífero do século XXI em Espanha, com 11 vítimas mortais, entre bombeiros florestais e agentes ambientais.