Isabel Mendes Lopes: "Rui Tavares não sai, jogamos em posições diferentes"
- 10/07/2026 17:00
- Redação
Na antecâmara do Congresso do Livre, que arranca esta sexta-feira (em formato digital) e se prolonga pelo fim de semana em Sintra, a líder parlamentar do partido ambiciona ascender o partido a quarta força política em 2029 – altura em que o país (a correr tudo bem) volta a ter eleições legislativas, Isabel Mendes Lopes vinca que o partido "funciona de maneira diferente" de outras forças políticas.
"Há aqui uma continuidade que é muito importante de visão, é importante frisar: o Rui Tavares não se vai embora, vai continuar a fazer parte da equipa", esclarece.
A líder parlamentar do Livre confirma que o objetivo do partido, a longo prazo, é tornar-se a terceira força política em Portugal e, de forma mais imediata, ultrapassar a Iniciativa Liberal (IL) no quarto lugar.
"Nós queremos ser o quarto partido e, claramente, disputar o eleitorado com a Iniciativa Liberal e, a médio prazo, digamos 10 anos, sermos o terceiro maior partido", assume durante o São Bento à Sexta.
Questionada se isso não pode, a longo prazo, significar ultrapassar o PS, Isabel Mendes Lopes desvia-se da pergunta, vinca que o objetivo é "ter a maior capacidade de influência possível" e atira sobretudo ao eleitorado do Chega.
"Nós não desistimos de quem já votou na extrema-direita, porque são pessoas que é possível recuperar para o terreno democrático, é possível transformar a zanga e a desilusão em esperança", afirma a deputada do Livre.
Isabel Mendes Lopes foi das primeiras figuras da esquerda a defender uma coligação do Livre com outros partidos à esquerda para as eleições autárquicas em Lisboa, mas prefere não estender esses entendimentos noutros atos eleitorais.
A líder parlamentar do Livre defende que em legislativas "a situação é diferente" e argumenta: "Aí faz mais sentido os partidos apresentarem-se sozinhos".
Sobre o Orçamento do Estado, questionada se o Livre pode vir a abster-se em troca de alguma medida especialmente importante, Isabel Mendes Lopes garante que o partido "olha sempre primeiro para os documentos" para decidir a sua posição, mas deixa recados à forma como o PSD tem negociado no Parlamento.
"A opção do Governo tem sido recorrer ao extremo direito do Parlamento para fazer aprovar as suas decisões", critica a líder parlamentar do Livre, que considera que a "postura do PSD tem sido tudo menos dialogante".
Colocado o "problema grande", Isabel Mendes Lopes diz que é preciso "perceber o que está em cima da mesa", mas assegura que a porta da negociação do Livre mantém-se aberta: "Sempre que o Governo quer dialogar, nós estamos lá, mas muitas vezes não somos chamados".
Ainda assim, a porta-voz do Livre assume que as escolhas da AD, até agora, contaminam este processo.
"Se a política continuar a que Luís Montenegro tem seguido para o país, e a forma bastante polarizadora como o PSD se tem apresentado, é difícil haver negociações de qualquer espécie", avisa.