O Porto de 2050: 150 pessoas desenham uma cidade mais verde e com menos calor para daqui a 24 anos
- 11/07/2026 04:00
- Redação
Cerca de 150 especialistas de diferentes áreas estão reunidos, este sábado, na cidade do Porto para imaginar como poderá ser a Invicta em 2050 e propor medidas que a tornem mais sustentável, verde e preparada para os desafios climáticos.
A iniciativa junta cientistas, artistas, arquitetos, estudantes e cidadãos num exercício coletivo de construção do futuro da cidade. Em discussão estão temas como a biodiversidade, a criação de refúgios climáticos, a redução das zonas excessivamente quentes e uma maior presença da água no quotidiano urbano.
Graça Carvalho, da Futura Foundation, responsável pela iniciativa, explica que o objetivo é mobilizar pessoas que gostam da cidade e querem participar na sua definição: É um conjunto de pessoas que está aqui porque ama as cidades e, em especial, a cidade do Porto, e imagina como é que o Porto pode ser no futuro.”
A responsável defende que imaginar cenários diferentes não é um exercício abstrato ou radical, mas uma capacidade que deve ser desenvolvida coletivamente. Para a especialista, “a imaginação treina-se como um músculo e nós precisamos mesmo que as pessoas participem neste exercício coletivo de construir futuros um pouco melhores do que aqueles que hoje conseguimos imaginar".
O encontro funciona como uma espécie de Future Time Machine, através da qual os participantes constroem um mapa imaginado do Porto de 2050. O resultado será transformado num documento com propostas concretas, que será posteriormente entregue à Câmara Municipal do Porto e à Universidade do Porto.
Entre as ideias em debate está, por exemplo, a possibilidade de substituir determinadas infraestruturas rodoviárias por espaços verdes, perceber se essa transformação é valorizada pelos cidadãos e de que forma poderia ser concretizada.
Graça Carvalho espera que as propostas não fiquem apenas no papel e possam vir a contribuir para futuras decisões públicas, “aquilo que queremos é que seja um contributo para entidades públicas como a Câmara do Porto e a Universidade decidirem, por exemplo, sobre uma nova infraestrutura verde numa zona onde hoje existe uma estrutura viária.”
A iniciativa pretende também servir como uma forma de auscultar a população sobre a cidade em que deseja viver nas próximas décadas.
Num momento em que as alterações climáticas exigem novas respostas por parte das cidades, o encontro cruza ciência, arte, cidadania e participação para desenhar um Porto mais verde, mais azul e mais humano.
Entre os participantes estão a artista Joana Vasconcelos, o arquiteto paisagista José Miguel Lameiras, Teresa Vicente e João Kopke. Iniciativa segue depois para Coimbra, Évora e Lisboa.