Dia Mundial da População: sem condições para os jovens, Portugal continuará a envelhecer

Dia Mundial da População: sem condições para os jovens, Portugal continuará a envelhecer

  • 11/07/2026 03:04
  • Redação

Portugal precisa de responder às dificuldades enfrentadas pelos jovens para conseguir inverter a baixa fecundidade e o envelhecimento da população. O país é hoje o terceiro mais envelhecido da União Europeia, com 182 idosos por cada 100 jovens.

Dados divulgados pela Pordata, neste Dia Mundial da População, mostram que a população idosa está a crescer a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da população em idade ativa. Em 2025, Portugal tinha 2,7 milhões de pessoas com 65 ou mais anos e cerca de 7,3 milhões em idade ativa.

Há, agora, apenas 2,76 pessoas em idade ativa por cada idoso. Desde 2001, o peso das crianças e jovens até aos 15 anos caiu de 16,3% para 12,6%, enquanto o dos idosos aumentou de 16,3% para 23%.

Apesar de muitos jovens manifestarem vontade de ter filhos, a demógrafa considera que as condições económicas e sociais impedem, frequentemente, a concretização desses projetos familiares. “É preciso haver medidas que possam concretizar aquilo que são as expectativas da população jovem, porque existe vontade e interesse em ter filhos, mas reconhecem que não têm condições para concretizar essa fecundidade.”

Entre os principais obstáculos estão "a falta de condições, estamos a falar de habitação, salários, emprego e condições de vida".

Cristina Sousa Gomes considera que as medidas anunciadas, apesar de muitas vezes direcionadas para os jovens, não estão a produzir os efeitos necessários. Defende, por isso, uma estratégia prolongada e coerente, em vez de respostas isoladas.

A população portuguesa atingiu em 2025 um máximo histórico de 11,4 milhões de habitantes, completando sete anos consecutivos de crescimento. Esse aumento foi, no entanto, impulsionado sobretudo pela imigração e não pela renovação natural da população.

Em 2024, Portugal ultrapassou pela primeira vez 1,5 milhões de residentes estrangeiros. A população estrangeira teve também um papel decisivo na atenuação da quebra dos nascimentos: o peso dos bebés de mães estrangeiras passou de 10% no período anterior à pandemia para 21,6% nos anos seguintes.

Ainda assim, a natalidade permanece em mínimos históricos. Entre 2021 e 2025, nasceram menos 2,5% de crianças do que entre 2015 e 2019. Sem os nascimentos de mães estrangeiras, a quebra teria atingido 15,1%.

Em Portugal, a taxa média de fecundidade situa-se nos 1,4 filhos por mulher, muito abaixo dos 2,1 necessários para assegurar a substituição das gerações. Embora esse valor seja difícil de alcançar, a demógrafa considera que uma subida para cerca de 1,8 representaria já uma melhoria significativa, “o ideal seria 2,1 filhos por mulher, porque esse é o nível que garante a substituição de gerações. O valor de 1,4 não chega. Teríamos de chegar aos 1,8, que já seria um nível muito razoável.”

A baixa fecundidade não é, contudo, um problema exclusivamente português. Cerca de 60% da população mundial vive em países que já não asseguram a substituição das gerações, uma realidade particularmente presente nas sociedades mais desenvolvidas.

Para Cristina Sousa Gomes, mais do que convencer os jovens a terem filhos, o desafio passa por criar condições para que aqueles que desejam constituir família possam concretizar esse projeto.

  • Fonte: Rádio Renascença
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