Surto de Ébola na RD Congo já fez 648 mortos

Surto de Ébola na RD Congo já fez 648 mortos

  • 11/07/2026 05:31
  • Redação

O Governo da RD Congo elevou para 648 o número de mortos e para 1.830 o número de casos confirmados de Ébola, um surto declarado na região leste do país.

Em comparação com o balanço anterior, feito na quinta-feira, contabilizaram-se mais 23 mortes e 38 infetados, segundo o boletim divulgado este sábado pelo governo congolês, salientando que a taxa de letalidade se situa atualmente nos 35,4%.

Segundo as autoridades, 780 doentes estão isolados ou hospitalizados e 285 pessoas conseguiram recuperar da doença.

O surto concentra-se nas províncias orientais de Ituri (epicentro da epidemia), Kivu do Norte e Kivu do Sul.

"O Kivu do Sul ultrapassou agora o limiar de 42 dias sem um novo caso confirmado, um passo importante para a declaração oficial do fim da epidemia na província", pode ler-se no comunicado.

Os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem que um surto de Ébola pode ser considerado encerrado se não forem detetados novos casos durante 42 dias consecutivos, o dobro do período de incubação do vírus.

O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul.

A epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.

O surto está associado à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera "elevado" o risco de propagação do surto na África Subsariana e "baixo" à escala global.

A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de maio, como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".

Trata-se da terceira pior epidemia de Ébola da história registada até à data e é a 17.ª a afetar a RD Congo.

O surto atual fica apenas atrás do que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outro que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020 e que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.

O vírus transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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