Rui Tavares e a ciência de “saber rodar os pontas de lança”
- 11/07/2026 07:03
- Redação
No meio de críticas internas sobre o alegado centralismo da atual direção do Livre, Rui Tavares chegou ao Congresso do partido, a decorrer este sábado e domingo no Hockey Clube de Sintra, a falar de “evolução” e a justificar a sua saída como porta-voz com a necessidade de “partilhar e saber rodar os pontas de lança”.
O fundador do Livre, em declarações aos jornalistas, em Sintra, explicou ainda que o Livre “está sempre a reinventar-se e a repensar-se e isso é muito importante”. O porta-voz cessante recusa que o partido entre agora numa nova fase, considerando que se trata de uma “evolução natural de um partido que sempre privilegiou muito um bom equilíbrio entre o coletivo, construir em conjunto”.
“É uma questão de em conjunto trabalharmos e dentro desse conjunto escolhermos quem é que rende mais em cada lugar, quem é que pode fazer melhor” e escolher “quem é que bate melhor os penáltis em cada momento”, referiu, usando várias vezes metáforas futebolísticas nestas declarações aos jornalistas.
Sobre o futuro, Rui Tavares disse que vai cumprir o mandato de deputado até ao fim elogiando quer a líder parlamentar Isabel Mendes Lopes quer o deputado e ex-candidato à Presidência da República Jorge Pinto. Ambos se candidatam a porta-voz do partido na mesma lista.
Os trabalhos do Congresso arrancaram com um minuto de silêncio pelo acidente de terça-feira com um autocarro no terminal de Agualva-Cacém, em Sintra, que provocou duas vítimas mortais e vários feridos.
À direção candidatam-se ainda mais duas listas, uma delas encabeçada pelo dirigente Rodrigo Brito, e a outra tem Tiago Mota a número 1. Estes dois dirigentes já integram a atual direção de forma minoritária.
As duas moções criticam o atual Grupo de Contacto, o principal órgão de direção executivo do Livre, de excessiva centralização nas figuras dos porta-vozes e do grupo parlamentar, apelando a uma maior democracia interna e ligação com as bases.