Críticos da direção pedem “democracia interna” no Livre e lamentam “fechamento” do partido

Críticos da direção pedem “democracia interna” no Livre e lamentam “fechamento” do partido

  • 11/07/2026 08:40
  • Redação

O Livre foi o único partido de esquerda que viu crescer a bancada no Parlamento e isso é reconhecido pela oposição interna da atual direção do partido. Mas, para os críticos de Rui Tavares, Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto isso não “chega” e as divergências foram notórias na abertura dos trabalhos do Congresso a decorrer este fim-de-semana no Hockey Clube de Sintra.

Rodrigo Brito encabeça a lista S, da oposição à direção e na apresentação da moção ao Congresso não escondeu as críticas. “Crescer, por si só, não chega. Uma árvore também cresce para cima, mas só resiste se crescer para baixo, se tiver raiz, solo, água e cuidado”, começou por dizer, dando voz aos que pedem mais ligação do Livre às bases.

“O que nos trouxe até aqui pode não bastar para nos levar mais longe”, avisou ainda Rodrigo Brito que pede “democracia por dentro e com coragem por fora. Com ideias ambiciosas, mas de pés bem assentes no chão, com rostos que comuniquem, mas também órgãos que decidam democraticamente”.

A falta de democracia interna é, de resto, uma das críticas reiteradas dos críticos da atual direção, ainda que façam parte do Grupo de Contacto, o principal órgão executivo do partido. “Uma democracia não se fortalece quando a participação é convocada depois da decisão tomada.

Um partido não se constrói de cima para baixo. E não vive apenas no Parlamento”, referiu ainda Rodrigo Brito.

Criticando o centralismo que diz que se vive nos principais rostos do partido, Rodrigo Brito pede: “O Livre tem de confiar nos seus membros, nos seus núcleos, nos seus círculos, nos seus eleitos e na inteligência coletiva que o fez nascer”.

“Uma democracia constrói-se com presença, com escuta e com trabalho. E com conflito também quando ele é necessário. Com a coragem de não confundir unidade com silêncio, liderança com concentração de poder, na eficácia, com pressa de decidir”, disse ainda o líder da lista S.

No mesmo sentido vai Tiago Mota, que encabeça a lista V, também candidata à direção do Livre que pede ao partido que seja o “antídoto” contra uma democracia “doente”.

“Não podemos deixar de exigir uma democracia altamente transparente se começamos a aceitar um país onde um silêncio confortável também existe na nossa casa”, lamentou Tiago Mota no discurso de apresentação da moção ao Congresso.

Tiago Mota elogia os estatutos do partido, que “com uma coragem e abertura raras, exigem reuniões do grupo de contacto públicas”, mas questiona: “Onde está essa transparência? Quando as reuniões do grupo de contacto deixam de ser na praça pública, onde todos podem ver, ouvir e participar, elas tornam-se o sintoma da doença grave que temos lá fora, o fechamento do partido”.

Pedindo um partido que não funcione apenas no Parlamento, Tiago Mota diz que a política “é muito mais” do que a Assembleia da República, “faz-se nas ruas, com quem luta pelo direito à habitação. A política faz-se nos bairros, onde as pessoas se organizam para pedir médico de família”.

Tal como Rodrigo Brito, também Tiago Mota pede ligação do Livre às bases: “Um partido transparente, horizontal, onde a decisão não vai de cima para baixo e onde o poder e responsabilidade é distribuído e partilhado por todos”.

Estes dois dirigentes já integram a atual direção de forma minoritária e concorrem em listas separadas aos órgãos de topo do partido. As votações arrancam na tarde deste sábado e terminam domingo, antes da sessão de encerramento.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: