Tendência minoritária do Livre acusa direção de tomar decisões “muitas vezes” ao arrepio dos estatutos

Tendência minoritária do Livre acusa direção de tomar decisões “muitas vezes” ao arrepio dos estatutos

  • 11/07/2026 17:38
  • Redação

O dirigente do Livre, que se candidata à liderança do partido, propõe que se revejam os estatutos. “Se for necessário esclarecer dentro dos estatutos, nos nossos documentos, que o Livre tem, por exemplo, um porta-voz, que fique escrito”, propõe este elemento da tendência minoritária do Grupo de Contacto, o órgão executivo da direção.

Vem ao Congresso com uma moção crítica da direção do Livre. Em que é que se baseiam essas críticas e o que é que acha que devia mudar na cúpula do partido?

Nós trazemos críticas, mas trazemos críticas não só para o interior do partido, mas também para o exterior. A nossa moção aparece precisamente porque nós acreditamos que a política tradicional está a afastar os cidadãos das decisões. E ficamos muito entristecidos de saber que o Livre faz agora 12 anos e que tinha todo um espaço político para criar uma política deliberativa mais de bases, mais de baixo para cima.

E o que nós acabamos por ver na prática dos últimos dois anos é precisamente uma cúpula do partido que não faz questão de esconder que as decisões são tomadas de cima para baixo. E isso é que nos dói bastante.

Muitas vezes ao arrepio dos estatutos. A questão mais óbvia, aquela que a gente insiste muitas vezes, é a questão dos porta-vozes, que não existem nos estatutos, a realidade é essa. Os estatutos são muito claros. O nosso órgão executivo tem 15 pessoas eleitas e essas 15 pessoas representam o partido em diferentes áreas temáticas. O que devia acontecer era nós termos vários co-porta-vozes que representassem as várias componentes, a Educação, a Saúde, a Justiça e tínhamos várias pessoas a falar em nome do partido. Não é o que acontece.

Uma das críticas também é que as bases não são tidas em conta nas decisões do partido…

Sim, e é um facto. Aliás, ontem à noite [sexta-feira], na aprovação do regimento, nós voltámos a ter um congresso que dá 36 votos para a nossa Assembleia, o que significa que um grupo pequeno concertado, e não estamos a dizer que ele existe, estamos a dizer que é possível fazer, concertar um grupo muito pequeno de pessoas dentro do Livre, que conseguem eleger a Assembleia inteira do Livre. Portanto, isto não é auscultar as bases, isto é criar uma forma que a Assembleia funcione em bloco e, portanto, correntes mais minoritárias, visões mais minoritárias dentro do partido acabam por nunca ter expressão dentro da Assembleia do partido.

Também há aqui um paradoxo, porque o Livre funciona assim internamente, mas tem algum sucesso eleitoral para fora, a partir do Parlamento. Como é que esta tendência minoritária dentro do Grupo de Contacto vive também este sucesso eleitoral?

Bom, antes de mais, é importante dizer que nós não estamos descontentes com a performance dos nossos deputados, nós achamos que aquilo que é importante para o Livre, as questões do socialismo, da ecologia, do europeísmo, elas estão muito bem representadas na Assembleia da República. Agora, de facto, a crítica aqui é que precisávamos de trazer as vozes dos nossos membros e apoiantes. Temos vários organismos dentro do partido, núcleos territoriais, círculos de discussão interna, que podiam perfeitamente fazer trabalho para dar à Assembleia da República e não é isso que acontece, o que acontece é que os nossos deputados decidem qual é a agenda do partido.

O que nós gostávamos era que ficasse tudo claro sobre o que é que os membros do Livre acham que o Livre deve ser. Aquilo que nós não queremos mesmo é um Livre que tem os estatutos que dizem uma coisa e depois a prática lá fora é outra. Se for necessário esclarecer dentro dos estatutos, nos nossos documentos, que o Livre tem, por exemplo, um porta-voz, que fique escrito, mas que seja a decisão de todos, não que seja a decisão de alguns.

Não, porque obriga a mudar os documentos internos do partido, nomeadamente, os estatutos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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