O Livre entre a falta de “nojo” pelo poder, o desafio ao PS e os anúncios para uma “vida plena”

O Livre entre a falta de “nojo” pelo poder, o desafio ao PS e os anúncios para uma “vida plena”

  • 12/07/2026 10:55
  • Redação

Dois dirigentes do PS cantaram em pé e lado a lado a “Grândola, vila morena” de José Afonso no final do congresso do Livre, que se ouviu no pavilhão do Hockey Clube de Sintra, logo após os discursos da nova dupla de porta-vozes do único partido de esquerda que mais cresceu nas últimas legislativas.

André Pinotes Batista, líder da distrital do PS de Setúbal e a ex-ministra Ana Mendes Godinho não mostraram qualquer constrangimento em associar-se ao fim de festa do Livre, onde ambos ouviram de viva voz a vontade de Jorge Pinto e de Isabel Mendes Pinto conduzirem o partido ao poder.

O PS anda embalado pelas sondagens, que dão o partido liderado por José Luís Carneiro à frente do PSD e do Chega e o Livre quer apanhar a boleia dos socialistas e participar no poder. Não há vontade de acordos pré-eleitorais, de nenhuma das partes, mas Jorge Pinto, ao longo dos dois dias de congresso foi carregando na tecla de que “é possível e desejável” lá chegar e no discurso de encerramento assumiu mesmo esse objetivo já para o “próximo ciclo eleitoral”.

“Nunca tivemos medo ao poder, nem nojo ao poder, sempre dissemos que queríamos estar no poder em todas as escalas”, disse Jorge Pinto aos jornalistas, antes do discurso final aos congressistas. O Livre quer assumir-se como partido de poder à esquerda, mas vai pedindo ajuda ao PS.

Em tom de desafio, a recém reeleita co-porta-voz do Livre definiu um discurso de fação, na linha do “nós e eles”, ou seja, os partidos da direita e extrema-direita e os de esquerda, sugerindo que o PS tem a responsabilidade de posicionar-se desde já contra a anunciada revisão constitucional de 2027.

Isabel Mendes Lopes quer que o PS use a revisão constitucional como moeda de troca para o próximo e futuros Orçamentos do Estado. “O Partido Socialista tem os votos para conseguir negociar com o PSD e dizer claramente ao PSD que se vocês avançarem para uma revisão constitucional feita com o Chega, então não contam connosco para mais nada, inclusive Orçamentos de Estado. É a responsabilidade da democracia”, argumenta a recém-eleita co-líder do Livre.

O PS não enjeitou a ideia, com a dirigente Ana Mendes Godinho, reagindo ao discurso dos dois co-porta-vozes, a rejeitar que o Livre tenha ensaiado qualquer espécie de “condicionamento” aos socialistas.

“Não há aqui nenhum condicionamento do Partido Socialista, pelo contrário, eu acho que há uma mobilização das forças progressistas, humanistas, num contexto em que temos cada vez mais uma falta de sensibilidade, uma falta de resposta da direita aos problemas reais das pessoas”, referiu a dirigente do secretariado nacional do PS.

Em mais de uma hora de intervenção, os dois co-porta-vozes criticaram o Governo da AD e a aproximação ao Chega e direcionaram críticas ao ministro da Educação, na sequência daquilo que o Livre considera ser o “caos” na classificação dos exames nacionais do secundário.

Mendes Lopes anunciou que o Livre irá chamar Fernando Alexandre ao Parlamento e que a bancada parlamentar irá apresentar uma proposta para que o prazo de candidaturas ao Ensino Superior seja alargado.

Jorge Pinto ficou depois encarregue de anunciar linhas gerais sobre aquilo que será o pacote de medidas para “uma vida plena” que irá incluir um plano de rede de creches e de lares para idosos. “Queremos apostar na emancipação destas pessoas, não podem ser consideradas como um empecilho, é inaceitável”, disse o dirigente do Livre.

O Livre aposta ainda as fichas no reforço do Serviço Nacional de Saúde, “a mais bela conquista da nossa Democracia”, segundo Jorge Pinto e quer chamar a reestruturação do INEM ao Parlamento. Entre as medidas anunciadas estão ainda a erradicação da pobreza, mas sem referir qualquer calendário.

“Como é que o conseguimos?” foi a pergunta seguinte do novo co-líder do partido, que deu a resposta. “Sabemos como fazer, tem de haver transformação profunda da Economia, passa pelas pequenas e médias empresas, acrescentar valor, baixar impostos sobre o trabalho”, disse Pinto, referindo ainda a necessidade de um “novo fôlego de industrialização verde”, com apoio à investigação.

Jorge Pinto regressou ainda ao tema da regionalização, uma das suas bandeiras enquanto candidato derrotado à Presidência da República, nas eleições de janeiro.

  • Fonte: Rádio Renascença
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