O Estado da Nação? É o de sempre, mas há sinais positivos "apesar da estupidez do Governo"

  • 13/07/2026 04:59
  • Redação

"Apesar da estupidez do Governo, da prepotência dos Governos, e este Governo é bastante incompetente e prepotente, os portugueses vão trabalhando e as coisas vão avançando", afirma.

Henrique Raposo identifica, contudo, três razões para olhar para o futuro com algum otimismo.

A primeira é o crescimento do investimento estrangeiro na indústria, sobretudo no Norte do país. O comentador aponta exemplos de empresas como a Lufthansa, Leica e Coloplast, considerando que estes projetos ajudam a reforçar o emprego industrial e a recuperar uma classe operária que continua presente naquela região.

Na sua perspetiva, este fenómeno concentra-se entre Aveiro e Braga, contrastando com a Grande Lisboa, onde este tipo de investimento é menos frequente.

Raposo admite não saber a razão desta diferença, mas considera que o tema merece uma reflexão. Defende ainda que a permanência da indústria no Norte poderá ajudar a explicar a menor expressão eleitoral do Chega naquela região, quando comparada com a área metropolitana de Lisboa.

O segundo indicador positivo é a descida do risco de pobreza. Com base em estudos da Universidade Nova e da Cáritas, o comentador refere que a taxa terá baixado da ordem dos 20% para cerca de 15%.

"Estamos a falar de milhares de portugueses que deixaram de ser pobres", sublinha.

Ao mesmo tempo, alerta para uma realidade que considera preocupante: o número de pessoas em situação de sem-abrigo aumentou de cerca de seis mil, em 2018, para aproximadamente 15 mil em 2025.

A imigração surge como o terceiro fator de confiança apontado por Henrique Raposo.

Embora reconheça que Portugal recebeu cerca de 1,5 milhões de imigrantes desde 2015 — dos quais cerca de 800 mil chegaram desde 2020 —, o comentador insiste que o país continua a enfrentar um sério problema demográfico.

"Apesar de ter entrado tanta gente, nós continuamos a envelhecer", afirmou, defendendo que a imigração continua a ser necessária para responder ao envelhecimento da população.

Henrique Raposo destaca ainda que Portugal conseguiu acolher este elevado fluxo migratório sem enfrentar os níveis de insegurança ou de distúrbios sociais registados noutros países europeus.

"Isso permite olhar para a imigração com um lado solar e otimista", afirma, acrescentando que "integrar 700 mil brasileiros hoje em dia é mais fácil do que integrar 700 mil retornados há 50 anos".

  • Fonte: Rádio Renascença
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