Bispo de Portalegre-Castelo Branco condena “a tenebrosa estratégia populista do dividir para reinar”.
- 13/07/2026 06:40
- Redação
O bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, lembrou, esta segunda-feira, em Fátima, os povos que invadem povos “usando a sua força violenta para impor as suas condições e fazer prevalecer os seus interesses”, as pessoas que violentam outras pessoas com “discursos de ódio e divisão que proliferam e tentam impor-se à comunidade humana” e também “a ameaça de confusão dos discursos manipuladores que fazem passar por verdadeiro o que é falso, atos deliberados que pretendem ser justos e legítimos, quando são apenas violência e aparência de legitimidade”.
Na homília da Missa da Peregrinação Aniversária de Julho, D. Pedro Fernandes sublinhou também os perigos da má utilização da tecnologia e da Inteligência Artificial (IA) e citou o Papa Leão que, na sua Encíclica Magnifica Humanitas, “alerta para a ambiguidade que estes meios podem trazer consigo”.
“Pode estar em perigo a construção de uma sociedade fundada na justiça e no direito”, alertou, condenando “a perigosa investida violenta de indivíduos ou povos poderosos que se aproveitam do medo das pessoas e dos sentimentos de insegurança para venderem formulas fáceis de uma estabilidade que não se funda na reconciliação e na justiça, mas em discursos populistas e estratégias perversas que põem povos contra povos e pessoas contra pessoas”.
“À tenebrosa estratégia populista do 'dividir para reinar' opõe-se a luminosa proposta da Palavra de Deus que nos fala de uma paz sem fim”, acrescentou.
E porque “todos deploramos a guerra e a violência que assolam o médio oriente, a Ucrânia ou tantos outros povos martirizados e violentados”, o bispo defendeu, perante cerca de sete mil peregrinos, que também temos de deplorar o que nos está próximo, “no meio de nós, no ocidente, na Europa e até no nosso país”.
“As raízes das guerras que destroem a humanidade noutras paragens podem também estar presentes, por vezes de modo subtil, nos nossos corações e no modo como olhamos os outros e organizamos entre nós as relações pessoais, sociais, políticas e económicas”, alertou.
Depois, o bispo recordou os recentes acontecimentos relacionados com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X para sublinhar que “no seio da Igreja, esta raiz de divisão e altivez também pode espreitar como uma tentação mortífera”.
“O recente acontecimento de uma comunidade sectária decidir colocar-se numa situação de excomunhão, apesar dos insistentes apelos do Papa, deve fazer-nos refletir”, acrescentou.
D. Pedro Fernandes exorta os cristão a serem extremamente críticos "contra a arrogância espiritual" e as atitudes sectárias que fragmentam a comunhão, e pediu que todos reafirmem o compromisso com a unidade, a justiça, a reconciliação e a defesa da dignidade de cada pessoa.
O bispo invocou “Maria, a Rainha da Paz”, para lembrar que “só vem de Deus aquilo nos une, nunca aquilo que nos divide”, sublinhando que “só é próprio de cristãos o que constrói a justiça, a reconciliação entre as pessoas, grupos e povos”.
O bispo frisou que a Igreja para além da unidade tem também a responsabilidade, “a tarefa de defender modelos sociais que guardem os valores de fraternidade evangélica na grande comunidade humana”.
E terminou a sua homília apelando à comunhão e à unidade. “Construamos a Justiça e a paz! Amparados por Maria, a fiel discípula, sigamos Cristo, o único príncipe da paz, e demos disso testemunho nos diferentes exercícios da cidadania, na Igreja e em todos os lugares e tempos em que Cristo nos convida a segui-lo!”, concluiu.