Trump defende que EUA controlem o Estreito de Ormuz e sejam pagos pela proteção da rota marítima
- 13/07/2026 09:13
- Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que os EUA deverão assumir o controlo do Estreito de Ormuz e defendeu que os países que beneficiam da segurança daquela rota marítima paguem por esse serviço.
Numa entrevista telefónica ao programa "Fox & Friends", da Fox News, Trump afirmou que Washington poderá tornar-se o "guardião" da passagem marítima, considerada uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
"Vamos manter o estreito e provavelmente vamos assumir o seu controlo. Vamos tornar-nos os guardiões do estreito. Talvez lhe chamemos o anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso", afirmou.
O presidente norte-americano acrescentou que os Estados Unidos "vão protegê-lo" e que "as outras nações são muito ricas", pelo que considera que devem suportar os custos dessa proteção.
As declarações surgem numa altura em que o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do petróleo transportado por via marítima a nível mundial, continua no centro da escalada entre Washington e Teerão.
O Irão anunciou no sábado o encerramento da passagem marítima, alegando uma travessia não autorizada de uma embarcação. No domingo, as autoridades iranianas reiteraram que o estreito permaneceria fechado até estarem restabelecidas as condições de "estabilidade e calma".
"Tínhamos um acordo. Estava fechado e depois destruíram tudo. Eles quebram sempre os acordos. Já tivemos dez acordos com estas pessoas, por isso vamos responder com muita força", declarou.
Também esta segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a única forma de restabelecer a navegação normal no Estreito de Ormuz passa pelo fim das operações militares norte-americanas na região, alertando que a continuação da intervenção dos EUA poderá provocar novos incidentes com impacto no mercado mundial do petróleo e do gás.
Durante o fim de semana e esta segunda-feira, forças norte-americanas e iranianas trocaram ataques com mísseis e drones. Teerão afirma ter atingido instalações militares dos Estados Unidos na região do Golfo e mantém encerrado o Estreito de Ormuz, situação que voltou a pressionar em alta os preços internacionais do petróleo.
A intensificação dos confrontos lança dúvidas sobre o entendimento provisório alcançado entre Washington e Teerão no mês passado, que previa a reabertura da via marítima e uma redução das hostilidades enquanto decorriam negociações entre as duas partes.
A Alemanha, a França e o Reino Unido condenaram esta segunda-feira os ataques atribuídos ao Irão contra navios mercantes no Estreito de Ormuz e contra vários países da região do Golfo, apelando ao fim da escalada militar.
Numa declaração conjunta, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países, conhecidos como o E3, condenam "os ataques hediondos do Irão contra navios mercantes no Estreito de Ormuz e contra países da região, incluindo o Qatar, o Kuwait, Omã e a Jordânia".
Os chefes da diplomacia europeia manifestam ainda preocupação com o agravamento da situação no Médio Oriente e defendem uma solução diplomática para o conflito.
Na mesma declaração, a Alemanha, a França e o Reino Unido apelam ao restabelecimento do cessar-fogo e à retoma das negociações entre as partes em conflito, considerando que o diálogo continua a ser a única forma de reduzir as tensões e evitar uma escalada com consequências para a estabilidade da região.
O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa das exportações mundiais de petróleo e gás, permanece no centro da crise entre o Irão e os Estados Unidos, depois dos mais recentes ataques militares e das restrições impostas por Teerão à navegação naquela via marítima estratégica.