Volkswagen admite corte de mais 50 mil postos de trabalho a nível mundial
- 13/07/2026 09:38
- Redação
O grupo Volkswagen admite eliminar mais 50 mil postos de trabalho em todo o mundo, numa tentativa de reduzir custos e responder à crescente pressão da concorrência internacional. A possibilidade foi avançada pelo presidente executivo, Oliver Blume, numa comunicação interna dirigida aos trabalhadores.
Segundo o memorando, a que a Reuters teve acesso, o fabricante automóvel alemão considera que os seus custos operacionais continuam demasiado elevados, estimando uma desvantagem de cerca de 20% em relação a empresas concorrentes.
Perante esse cenário, Blume refere que uma avaliação teórica aponta para a necessidade de eliminar mais 50 mil postos de trabalho, que se juntariam aos 50 mil cortes já acordados no grupo, incluindo nas marcas Volkswagen, Audi e Porsche.
"Estamos a avaliar, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustamentos são realmente necessários e viáveis", afirma o responsável no documento.
Caso avance na totalidade, o plano poderá elevar para 100 mil o número de postos de trabalho abrangidos pelo processo de reestruturação.
A divulgação do memorando surge poucos dias depois de uma reunião do conselho de supervisão da empresa, durante a qual a administração apresentou novas medidas de reorganização.
De acordo com fontes citadas pela Reuters, os representantes dos trabalhadores rejeitaram as propostas, que incluem novos cortes de pessoal e a possibilidade de encerrar quatro fábricas na Alemanha.
No documento, Oliver Blume reconhece que as unidades de Emden, Hanôver, Zwickau e Neckarsulm continuam sem uma perspetiva clara de atividade para a próxima década.
Ainda assim, o CEO garante preferir "soluções inteligentes" ao encerramento de fábricas, apontando como alternativas a produção de equipamento para a indústria da defesa ou o fabrico, na Europa, de modelos desenvolvidos pela Volkswagen para o mercado chinês.
Na semana passada, a Volkswagen anunciou que pretende reduzir a capacidade anual de produção para nove milhões de veículos e diminuir gradualmente a oferta de modelos, numa estratégia para adaptar a empresa às novas condições do mercado automóvel.
O grupo enfrenta uma quebra dos lucros, pressionado pelos custos associados às tarifas comerciais, pela forte concorrência dos fabricantes chineses e pela necessidade de tornar mais eficiente a sua estrutura industrial na Alemanha.
Apesar das discussões em curso, a empresa sublinha que ainda não foi tomada uma decisão definitiva sobre o número final de postos de trabalho a eliminar ou sobre o eventual encerramento de fábricas, admitindo que o processo continuará a ser negociado com os representantes dos trabalhadores.
[notícia atualizada às 15h20 de 13 de julho de 2026, para acrescentar mais detalhes]