Buscas "palmo a palmo". A estratégia de Almería para procurar os desaparecidos dos incêndios
- 13/07/2026 13:24
- Redação
A incerteza em relação ao número de desaparecidos, que chegou a ser noticiado serem 23, também muito pela falta de certezas em relação à identidade das vítimas mortais, fez com que as buscas no terreno por mais pessoas mortas não tivesse cessado até domingo.
No terreno, estiveram 101 efetivos de diferentes corpos de intervenção. Tiveram a missão de inspecionar mais de 250 habitações.
A Unidade Militar de Emergências, a Guarda Civil e também 12 grupos de voluntários da Proteção Civil, em conjunto, disponibilizaram 61 efetivos para, com as equipas caninas de busca, “poderem localizar e inspecionar metro a metro, palmo a palmo” um vasto terreno.
No total, a área desta batida foi de mais de 217 hectares, que as várias forças dividiram em 18 zonas de intervenção.
Vírginia Barcones lembra que havia 10 equipas preparadas para inspecionar aquilo que define como uma contradição. Estes grupos são treinados para encontrar pessoas, mas o que queriam, neste caso, era “que não houvesse ninguém” que tivesse ficado preso em escombros.
“A melhor notícia foi que não encontraram ninguém”, resume a responsável máxima da Proteção Civil em Espanha. Ainda assim, o jornal “Diário de Almería” notícia que há ainda dez queixas de desaparecimento em aberto.
Os trabalhos de busca, tal como já tinha sido o combate ao fogo, foram prejudicados por uma “orografia tão complexa”.
Entretanto, o difícil processo de identificação das vítimas mortais (devido ao elevado estado de decomposição dos corpos e o facto de a maioria ser estrangeira) deu mais um passo. Foram identificadas oficialmente seis dos 13 mortos. Entre eles está um cidadão espanhol e cinco estrangeiros: dois britânicos, um francês, um belga e uma norte-americana.
Segundo fontes da investigação contactadas pela EFE, as seis vítimas identificadas são três homens e três mulheres.
Convencidas agora que estão as autoridades espanholas de que o número de vítimas mortais, neste incêndio, o mais letal do século no país vizinho, não vai subir por conta de pessoas desaparecidas, as atenções centram-se nos vivos e na reconstrução de tudo o que foi destruído nos 40 quilómetros de perímetro e cerca de sete mil hectares destruídos pelas chamas.
Entretanto, as equipas técnicas deram imediatamente início à avaliação dos prejuízos, com vista a restabelecer os serviços essenciais o mais rapidamente possível.
As primeiras inspeções centrar-se-ão em estradas, caminhos rurais, redes elétricas, abastecimento de água, comunicações e infraestruturas públicas.
Vai ser ainda elaborado uma lista dos danos sofridos por habitações, explorações agrícolas, empresas e propriedades privadas.
É este trabalho que permitirá ativar as diferentes linhas de apoio destinadas tanto à reparação de infraestruturas como à indemnização dos residentes que perderam as suas habitações ou sofreram danos materiais. Os presidentes de câmara já alertaram que a recuperação será demorada devido à magnitude dos danos causados pelo incêndio.
“O Governo de Espanha — como foi explicado pelos nossos representantes ao longo dos últimos dias —, disponibilizámos todos os recursos do Estado que nos foram solicitados. Durante a fase de extinção do incêndio e, claro, também na investigação das causas do incêndio e, finalmente, como já referi anteriormente aos presidentes de câmara das zonas afetadas, naturalmente na reconstrução para, pelo menos, atenuar na medida das nossas possibilidades, do ponto de vista material, nunca emocional, dar-lhes uma ajuda com recursos públicos para que possam recuperar, pelo menos, a sua normalidade”, afirmou Sánchez, numa declaração de menos de 10 minutos aos jornalistas, sem direito a perguntas.