Exames nacionais: "Ministro deve tirar consequências políticas"
- 13/07/2026 16:56
- Redação
Miguel Poiares Maduro reconhece que houve um "otimismo excessivo" do ministro da Educação no início do processo de correção dos exames nacionais do 11.º e 12.º anos.
O antigo ministro do PSD entende que Fernando Alexandre "terá um problema sério" caso se o prazo para publicar as avaliações deslizar. Nesse caso, espera que o ministro "seja o primeiro a reconhecer".
O social-democrata entende, ainda assim, que o ministro pode ter espaço para se recuperar politicamente por considera que Fernando Alexandre ainda tem créditos para ultrapassar esta falha.
O antigo governante do PSD entende que, se o ministro conseguir garantir que o atraso da publicação dos resultados é apenas de três dias e que se depois não ocorrerem muitas queixas nem dificuldades na reavaliação dos exames, pode haver espaço para "recuperar politicamente", até por beneficiar de "um crédito grande por ser o ministro que era mais popular do Governo".
Caso contrário, Miguel Poiares Maduro é afirmativo: "Se não conseguir, eu acho que ele aí tem um problema sério e será provavelmente o primeiro a reconhecer isso".
Em oposição, Fernando Medina considera que já não existe esse espaço. O antigo ministro do PS entende que o cumprimento da nova data para afixação das notas não deve ser visto como uma vitória e espera não assistir "a uma volta ao estádio em glória caso as notas fiquem publicadas no dia 17".
Fernando Medina acredita que o próprio ministro "tirará a consequência política" após o falhanço nos exames nacionais. Caso contrário, entende que "já não haverá senso".
O antigo ministro das Finanças classifica como "grave" a situação porque abalou a confiança no sistema de exames, por ser mais uma área do Estado "a falhar" e porque é "claro que houve incompetência" na gestão do Ministério da Educação.
Fernando Medina recorda que o atual ministro tinha eliminado parte dos recursos na Educação e critica a "sobranceria e o irrealismo" do ministro da Educação que considera inaceitáveis em alguém que já acompanha a vida pública há algum tempo. O antigo governante lamenta ainda a "arrogância" que existiu com as famílias dos estudantes.
Miguel Poiares Maduro não tem dúvidas de que "correu mal" ao primeiro-ministro a forma como interviu sobre os exames nacionais. Recorde-se que Luís Montenegro acabou a comentar os problemas à margem de um festival de verão. O social-democrata lamenta a "tentativa de desvalorizar" os problemas que ocorreu inicialmente pelo ministro da Educação.
Questionado sobre a conferência de imprensa em que o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, anunciou o pagamento de horas extraordinárias, Poiares Maduro diz que "não faz sentido" e que "não é correto". "Essa confusão não é saudável e não devia acontecer", disse.
Também Fernando Medina partilha da opinião de Miguel Poiares Maduro e acrescenta que anunciar como medida algo que já está previsto na lei – o pagamento das horas extraordinárias – é "unicamente uma tentativa de criar um número para a comunicação social".
Miguel Poiares Maduro considera "excessiva" a presença de líderes políticos portugueses no Mundial de futebol. O social-democrata critica as viagens do primeiro-ministro e realça que participação passa a ser um problema também porque o futebol "é uma atividade que o Estado também devia regular e, portanto, era saudável ter um bocadinho mais de distanciamento".
O social-democrata entende que seria mais aceitável que as presenças em estádios ocorressem já em fases finais e decisivas das competições.
Fernando Medina também entende que há um excesso e que as presenças deveriam estar reservadas a fase finais. O antigo ministro das Finanças sublinha que houve um "exagero" de Luís Montenegro e recorda: "No final de um dos jogos, quando se dá a passagem da seleção portuguesa às fases eliminatórias não faltou o vídeo do primeiro-ministro a abraçar Cristiano Ronaldo nos balneários da seleção. Percebe-se que, obviamente, está é uma tentativa de ganhar simpatia e de uma certa popularidade junto do país que está todo concentrado a ver o futebol".