Luís Neves contratou empreiteiro de obras na PJ para remodelação de uma propriedade em Odemira?
- 14/07/2026 03:15
- Redação
O ministro da Administração Interna está sob pressão por causa das obras numa propriedade sua em Odemira. A empresa contratada para a remodelação é a mesma que faturou cerca de dois milhões de euros em obras para a Polícia Judiciária, quando Luís Neves era diretor nacional.
Está em causa a relação entre uma obra privada do ministro da Administração Interna e contratos públicos atribuídos à mesma empresa quando Luís Neves era diretor nacional da Polícia Judiciária. A Construbarcelos fez obras em instalações da PJ, na Guarda e em Évora, e faturou cerca de dois milhões de euros, entre 2020 e 2025.
Mais tarde, essa mesma empresa foi contratada por Luís Neves para obras numa propriedade sua em Odemira.
Portanto, a dúvida é saber se houve apenas uma contratação privada de alguém em quem o ministro confiava - tal como Luís Neves defende - ou se existiu algum conflito de interesses ou favorecimento resultante da relação entre o antigo diretor da PJ e o empreiteiro.
Nega qualquer favorecimento e diz que as adjudicações da Polícia Judiciária seguiram os procedimentos legais de contratação pública.
Luís Neves acrescenta, ainda, que durante mais de 70% do período em que a empresa trabalhou para a PJ, ainda nem conhecia pessoalmente o empreiteiro.
Sobre a obra privada, o ministro diz que começou por pedir uma opinião técnica ao empreiteiro, que, entretanto, se tornou seu amigo, e acabou por contratá-lo para realizar umas obras com um custo de 20 mil a 30 mil euros.
Luís Neves descreveu os trabalhos como intervenções limitadas: uma parede, uma casa de banho, um alpendre e um tanque.
Luís Neves diz que todas estão registadas no E-Fatura e declaradas à Autoridade Tributária, mas ainda não apresentou a documentação. Admite fazê-lo quando a obra estiver concluída.
Mas há outra questão: o ministro da Administração Interna também admitiu a entrega de cerca de cinco mil euros ao empreiteiro para pequenas despesas e fundo de maneio.
Desde logo, a cronologia completa: quando é que Luís Neves conheceu o empreiteiro, quando nasceu a relação de amizade e que contratos públicos foram assinados antes e depois desse momento.
Também falta perceber se houve, ou não, intervenção direta do então diretor nacional da PJ nos contratos adjudicados à Construbarcelos.
Falta a documentação: orçamento, contrato - se é que existiu -, faturas, comprovativos de pagamento e eventual licenciamento municipal das obras em Odemira. E falta responder a esta pergunta: o preço cobrado ao ministro corresponde ao preço normal de mercado ou houve algum benefício por causa da relação pessoal entre ambos.
Luís Neves diz estar de consciência tranquila, mas reconheceu que, sabendo o que sabe hoje, teria feito as coisas de maneira diferente.