"Processo dos exames merece negativa, até agora"

  • 14/07/2026 04:55
  • Redação

"O processo tem que levar uma negativa até agora. Para já, é uma entrega fora de prazo. Agora vamos ver se o trabalho está bem feito", afirma.

Apesar das falhas verificadas, João Duque defende que o princípio da digitalização das provas continua a fazer sentido, porque pode garantir maior equidade na correção.

Na sua perspetiva, "o que está por trás desta digitalização dos exames é a expectativa de que uma correção feita totalmente na horizontal de todos os exames é mais justa, porque torna independente o examinado do examinador". Por isso, conclui, "o princípio é muito bom".

O comentador admite que alguns problemas técnicos, como os referidos pelo ministro da Educação, possam ter contribuído para as dificuldades, mas considera que as falhas vão além de casos pontuais, como um agrafo mal colocado.

"O processo de digitalização parece que correu mal", afirma, apontando também situações em que "alunos responderam em lugares fora do espaço e, de facto, tem o problema depois da leitura horizontal, que se não está exatamente no local é perdida aparentemente".

João Duque alerta que o maior risco poderá surgir nas próximas semanas, caso os atrasos acabem por afetar o calendário de acesso ao Ensino Superior.

"Esse é um sarilho", afirma. "Se correr mal, então são dois sarilhos um atrás do outro e aí temos um problema muito sério, porque o Ensino Superior está todo preparado para receber os alunos numa determinada data e, se isto atrasa, é uma grande confusão."

O economista considera, contudo, que a digitalização é apenas o primeiro passo de uma mudança mais profunda, que passará pela utilização da inteligência artificial na correção das provas.

"O futuro da digitalização dos papéis vai ser, muito provavelmente, a sua correção de forma independente do fator humano", prevê, acrescentando que, numa primeira fase, "os professores corretores provavelmente terão uma espécie de inteligência artificial a corrigir".

Ainda assim, defende que essa transição deve ser feita de forma gradual, mantendo sempre a supervisão dos docentes.

"Espero que não o façam do zero para o cem, mas que passem por uma fase em que há controlo humano, pelo menos de acompanhamento das correções da inteligência artificial", diz.

“Mas este, para mim, é o problema e se calhar os professores também já viram isto e também não estão interessados em que o processo passe exatamente assim”, conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: