"Levo todos no coração". Bispo D. Manuel Quintas grato por 26 anos de missão no Algarve
- 14/07/2026 06:30
- Redação
"Uma feliz notícia!" É assim que D. Manuel Quintas reage à nomeação de D. Vitorino Soares como novo bispo do Algarve.
A escolha do Papa Leão XIV foi conhecida esta terça-feira, 14 de julho, a pouco mais de um mês de celebrar 77 anos e de se cumprirem dois desde que pediu a resignação por limite de idade.
Nomeado administrador apostólico do Algarve até à chegada do novo bispo, a 19 de setembro, D. Manuel garante que toda a diocese vai acolher com alegria o novo titular.
"Estávamos à espera desta nomeação. Acolhemos D. Vitorino disponíveis para tudo o que precisar, a nível de informação, colaboração, participação, apoio. Seja no início, para conhecer um pouco melhor a diocese, em todos os sentidos, seja também ao longo do seu ministério. Da minha parte, há disponibilidade total", assegura.
Natural de Mazouco, em Freixo de Espada à Cinta, Manuel Neto Quintas recorda que mal conhecia o Algarve e os algarvios quando, no ano 2000, João Paulo II o nomeou bispo auxiliar da diocese, onde teve depois um bom mestre.
"Foi mesmo um privilégio durante quatro anos poder aprender a ser bispo e conhecer esta região com o D. Manuel Madureira Dias, felizmente ainda vivo, e aproveito esta entrevista para lhe enviar um grande abraço", diz.
Como bispo emérito promete continuar disponível para ajudar, mas revela que pretende regressar à família missionária a que pertence.
"Nós temos essa possibilidade, que os bispos ligados a dioceses de origem não têm: pelo facto de termos vindo de uma família religiosa, assumimos este serviço como uma missão. Eu fui destacado para aqui há 26 anos e esta missão chega agora ao fim. Com muita serenidade, e com muita alegria também, regressarei à família de onde vim, os Sacerdotes do Coração de Jesus. Ainda não sei para onde será, mas será para uma das comunidades. Temos várias em Lisboa, Aveiro, no Porto, na Madeira há lá três comunidades, e nos Açores. Será para um desses lugares que regressarei, continuando sempre como bispo emérito desta diocese."
A diocese algarvia corresponde a toda a área do distrito de Faro, que, no verão, passa de 500 mil para mais de mil e 300 residentes, com o que isso também implica em termos de resposta pastoral da Igreja. Num balanço dos 22 anos como bispo diocesano admite que não conseguiu fazer tudo o que queria.
"Quando projetamos as coisas, pomos a fasquia muito alta, mas temos de reconhecer as nossas fragilidades. Nem sempre conseguimos chegar onde pretendemos. O importante é fazermos uma análise serena". Ali, como noutras regiões do país, teve de "atender a ritmos diferentes".
"Uma coisa é o Algarve litoral, as paróquias do litoral, outra são as paróquias que chamamos do barrocal, na meia encosta, na serra. Há ritmos diferentes e não vale a pena exasperarmo-nos porque uns caminham mais à frente do que outros, alguns vêm mesmo lá atrás. Mas, o combóio é comprido, é grande! O importante é sentirmo-nos todos Igreja diocesana, em comunhão uns com os outros, mesmo que caminhemos em ritmos diferentes".
Admite, no entanto, que o que mais lhe custou nestes anos foi o Algarve perder várias comunidades religiosas, por falta de vocações. "Fecharam mais de dez, não conseguiam ter pessoas. É o que me deixa de coração mais apertado, mas não tinha como contrariar os superiores provinciais, ou gerais, na sua decisão de encerrar. Passa-se o mesmo noutras dioceses. É um empobrecimento", lamenta.
Na mensagem divulgada esta terça-feira a toda a diocese - e que pode ler aqui - , D. Manuel Quintas saúda a nomeação do novo bispo, D. Vitorino Soares, até agora bispo auxiliar do Porto, e anuncia a data de 19 de setembro para a sua entrada solene na diocese algarvia, que será preparada ao longo dos próximos dois meses por uma comissão que irá nomear para o efeito.