Mário Tomé e Pedro Soares entre os 60 bloquistas que saem do partido porque o seu "BE acabou"

Mário Tomé e Pedro Soares entre os 60 bloquistas que saem do partido porque o seu "BE acabou"

  • 14/07/2026 07:04
  • Redação

Um grupo de 60 bloquistas, entre os quais o histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, anunciou esta segunda-feira a saída do Bloco de Esquerda (BE), por considerar que o partido "acabou" e criticando o rumo seguido nos últimos anos.

"Sem pena, dadas as circunstâncias expostas, mas lamentando o fim de um projeto que se destinava a unir amplos setores da sociedade por uma alternativa contra a hegemonia neoliberal, tendo como horizonte a radical transformação da sociedade, deixamos de ser bloquistas porque o nosso Bloco acabou", afirmam num comunicado enviado às redações.

Entre os militantes que abandonam o partido e que desempenharam diferentes responsabilidades no BE destacam-se Mário Tomé, histórico da UDP, e Pedro Soares, ex-deputado que, nos últimos anos, se tem assumido como crítico da direção.

"O Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com entusiasmo e empenho já não o é. Sabendo que muitos dos que ainda permanecem são genuínos militantes por uma esquerda de combate", acrescentam.

Ao longo do comunicado, os signatários dirigem fortes críticas à direção do partido, sobretudo pelo rumo seguido desde o fim da chamada geringonça. Recordam que o BE chegou a ser a terceira força política no Parlamento e conta atualmente com apenas um deputado.

Na sua avaliação, "a maioria da direção afastou-se do pulsar e do sentimento popular, burocratizou-se e institucionalizou-se, ficou insensível à crítica interna e sem projeto político autónomo credível".

Sobre o período em que o BE celebrou um acordo parlamentar com o PS de António Costa, os ex-militantes consideram que o partido caiu na ilusão de um "restrito núcleo dirigente", que "cedo transformou um acordo fruto das circunstâncias numa estratégia que o fez perder autonomia política".

Para estes antigos bloquistas, "a perda sucessiva de eleitos, sendo muito significativa e contínua, foi sintoma evidente de acentuada quebra de influência política e social" e "tornou-se insustentável".

Os signatários acusam ainda a direção de concentrar o poder num "Secretariado sem competências para tal, mas omnipotente", o que, sustentam, "levou ao afastamento de quem expressava posições críticas ou alternativas, (...) à desmotivação e mesmo ao abandono de centenas de militantes, de muitos dirigentes nacionais e distritais".

No comunicado, apontam igualmente o dedo ao que classificam como "desprezo pela organização de base".

Criticam ainda a estratégia seguida durante a geringonça, considerando que "o Bloco embarcou acriticamente na 'geringonça'" e que "colocou como objetivo central, proclamado na Convenção de 2019, a participação no Governo, numa triste rendição a uma social-democracia, por sua vez dissolvida no neoliberalismo".

Os ex-militantes reconhecem que "errar é humano" e que "reconhecer o erro também o é", mas acusam a direção de ter recusado fazer esse exercício.

"O núcleo dirigente impôs-se autocraticamente, recusando uma reflexão autocrítica, recusando fazer qualquer balanço da ação política do Bloco fossem quais fossem os resultados, caluniando, perseguindo mesmo, as vozes críticas que alertavam para a perda de influência e credibilidade políticas e para a necessidade de mudança de rumo", concluem.

  • Fonte: Rádio Renascença
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