Parlamento ucraniano aprova demissão da primeira-ministra após decisão de Zelensky
- 14/07/2026 09:56
- Redação
A economista, de 40 anos, abandona o cargo cerca de um ano depois de ter assumido a chefia do executivo. A sua saída implica, de acordo com a legislação ucraniana, a demissão de todo o Governo, iniciando o processo para a formação de um novo executivo.
Na despedida, Svyrydenko fez um balanço do último ano à frente do Governo e agradeceu o apoio recebido.
"Cada dia deste ano exigiu decisões difíceis e ações decisivas. Estou profundamente grata pela confiança e pelo apoio que recebi", afirmou, acrescentando que "sempre acreditei que o mais importante são os resultados".
Nomeada em 2025, poucos meses depois de um caso de corrupção envolvendo altos responsáveis do Estado, Svyrydenko foi alvo de críticas por parte da oposição, que a acusava de não ter promovido reformas suficientemente profundas no combate à corrupção.
O Presidente ucraniano justificou a remodelação apenas com a necessidade de renovar a estratégia política do país, afirmando que a Ucrânia está a entrar numa nova fase e que são necessárias novas pessoas para a concretizar.
A decisão foi contestada por alguns deputados. O parlamentar da oposição Yaroslav Zhelezniak, do partido Holos, criticou o desempenho do executivo cessante, afirmando que o Governo "prometia resultados todos os dias", mas que, na prática, "todos os dias tínhamos apresentações, todos os dias conferências de imprensa e, todos os dias, surgia um novo suspeito num caso de corrupção".
Entre os nomes apontados para suceder a Svyrydenko está Serhiy Koretskyi, presidente da empresa estatal de petróleo e gás Naftogaz. Também são apontados como possíveis sucessores o ex-primeiro-ministro Denys Shmyhal, atual ministro da Energia, e o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.
A remodelação governamental acontece numa altura em que a Ucrânia continua a enfrentar a invasão russa. Ao primeiro-ministro cabe sobretudo assegurar o funcionamento da economia de guerra e coordenar a resposta aos danos provocados pelos ataques russos às infraestruturas civis.
No seu discurso de despedida, Svyrydenko deixou ainda um aviso ao futuro executivo, considerando que a preparação para o próximo inverno será um dos maiores desafios, numa altura em que a Rússia deverá intensificar os ataques contra a rede elétrica e o sistema de abastecimento de gás da Ucrânia.