Exames: Montenegro acusa professores de “perturbarem o processo” e fala em eventuais responsabilidades políticas

  • 14/07/2026 19:04
  • Redação

Luís Montenegro reconhece que o processo de digitalização e posterior correção é complexo e difícil, mas diz que há professores que estão contra esta mudança e estão a criar todo este clima que está a perturbar o processo.

“Acreditem que eu vou dizer isto não é para sacudir responsabilidades, nem é para estar a acusar ninguém. É porque é assim mesmo. Aqui e ali há alguma resistência”, diz Montenegro para apontar o dedo aos docentes.

“Basta ver que os professores não têm todos a mesma opinião sobre, nomeadamente, este processo. A grande maioria, eu não tenho dúvida, está com o passo que nós estamos a dar. Mas há alguns que não estão, e nós temos de compreender que isso perturba o processo em si”, conclui o primeiro-ministro.

“Eventualmente até com alguma falha que possa ter sido cometida pelos responsáveis políticos, pelos responsáveis dos serviços. Tudo isto causa alguma inquietação nos alunos, nas famílias, em todos nós”, referiu.

Em resposta às críticas que têm sido feitas ao primeiro-ministro de falta de sensibilidade ou empatia para com este assunto, Montenegro responde dizendo que isso é uma infantilidade.

“Parece-me infantil a acusação segundo a qual nós não teremos sensibilidade, não teremos a empatia para nos sabermos colocar no lugar dessas pessoas. Só mesmo quem ignora que nós somos pessoas iguais a essas. Que também estudamos, que também temos familiares que estudam, que também temos familiares que são professores, que são auxiliares nas escolas. Eu acho que não vale a pena irmos por aí”, disse.

Aliás, o primeiro-ministro nem percebe tanta polémica com estes problemas que estão a afetar a correção dos exames nacionais porque, na sua opinião, o Governo tomou uma “boa decisão” e é isso que deve ser tido em conta.

“A questão é se, apesar da complexidade e da dificuldade do processo, nós estamos a decidir bem ou mal. Nós estamos a fazer bem ou mal para garantir a tranquilidade e o curso normal do processo de avaliação e das suas consequências, nomeadamente no acesso a níveis de ensino superior, ou se por outro lado nós devemos manter tudo como está”, questionou Montenegro.

Numa sessão com militantes intitulada “Jornadas "Estado da Nação - Governar com resultados", Luís Montenegro destacou a prioridade do Governo em acabar com a burocracia no estado e em simplificar procedimentos também através da digitalização.

O primeiro-ministro diz que está “a construir um país moderno, que decretou por força do nosso Governo, ou dos nossos governos, guerra à burocracia” e deixou a promessa : “É um compromisso, um objetivo pelo qual cheguei a dizer, e aqui recordo, eu coloco a minha cabeça no cepo”.

Montenegro elogiou o que já foi feito na digitalização dos serviços públicos, com o exemplo da Segurança Social em que “eliminámos três milhões de atendimentos com o processo de simplificação e de digitalização de muitos dos procedimentos”.

“Nós fomos o primeiro país na Europa a completar o processo, que está hoje já vigente, da carteira digital da empresa”, disse Montenegro.

O primeiro-ministro volta a criticar o PS e o Chega que “se juntam a bloquistas e comunistas no que é mais importante”, para perguntar porque é que a oposição está contra as novas medidas aprovadas pelo governo para o mercado de arrendamento.

“O que é que espera ao Chega? E os seus parceiros, nestas matérias que são o Partido Comunista, e o Bloco de Esquerda, e o Livre. Então, se eles se queixam que não há casas para arrendar, que o preço é altíssimo, e é, mas são verdade na sequência das políticas que eles defenderam e implementaram nos últimos anos. Onde é que está a dúvida?”, referiu Montenegro.

O primeiro-ministro garante que as medidas aprovadas na semana passada permitem a moderação dos preços do arrendamento.

“Permitindo que as famílias tenham nesse mercado o dinamismo suficiente para fruto de uma maior oferta, os preços se moderarem”, garante o primeiro-ministro, que reconhece que a “Reforma do Estado”, no capítulo da habitação, os resultados “ são demorados, exigem persistência, exigem convicção, exigem poder de transformação”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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