David Justino. "Limitação ao reagrupamento familiar de imigrantes em Portugal é execrável"

David Justino. "Limitação ao reagrupamento familiar de imigrantes em Portugal é execrável"

  • 15/07/2026 01:43
  • Redação

"É algo que tecnicamente considero execrável. Não tem fundamento. Se tivermos uma imigração de famílias, em vez de ter uma imigração de indivíduos, teremos maior potencial de integração e, acima de tudo, de estabilidade. Se apenas dificultamos a integração das famílias e continuamos a admitir os indivíduos, eles vão viver sozinhos, em camaratas, o que não é um fator de integração", denuncia David Justino, num programa que analisa os desafios sociais colocados pela revisão das estimativas da população residente em Portugal.

O antigo ministro diz que os novos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, que fazem uma revisão em forte alta da população residente em Portugal, pedem uma reforma da Segurança Social que encontre novas formas de receita nos lucros das empresas.

"Há empresas que têm poucos trabalhadores, que descontam pouco para a Segurança Social, mas que têm muitas receitas, porque são altamente produtivas. Essas não descontam para a Segurança Social. E, portanto, se houver o desafio da produtividade, vai em prejuízo da Segurança Social", argumenta David Justino, sugerindo um alargamento da base contributiva do sistema: "A única forma é ter uma componente de contribuição com base no número de trabalhadores e ter outra componente com base na receita gerada."

Já a redução da idade de reforma, proposta pelo Chega, é liminarmente rejeitada pelo antigo governante do PSD. "É da maior irresponsabilidade que pode existir", insiste David Justino, que alerta para os desequilíbrios que o panorama demográfico podem provocar ao sistema de segurança social no futuro.

"Se há alguma coisa que falhou neste caso, foi quem cria as mais importantes oportunidades, que é a economia. Não há outra forma de criar emprego para as pessoas se poderem desenvolver e afirmar. Se a economia não cresce ao ritmo que nós esperávamos — 3% a 4%, no mínimo —, a taxa de crescimento anémico não tem capacidade de absorção das qualificações produzidas pelo Instituto Superior", argumenta o antigo ministro da Educação num debate com a diretora da PORDATA, Luísa Loura.

  • Fonte: Rádio Renascença
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